
Pense nos grandes momentos do cinema em 2011. O garoto olhando no fundo dos olhos do monstro para reencontrar o olhar da mãe em Super 8, de J. J. Abrams. Qualquer cena de Woody Allen com Marion Cotillard em Meia-noite em Paris. A sinceridade estampada no rosto de Cécile de France quando ela fala com o garoto da bicicleta, no filme dos irmãos Dardenne. O esplendor da Toscana filmada por Abbas Kiarostami em Cópia Fiel. A luminosidade do corpo celeste em choque com a Terra, no momento em que o menino consegue restaurar a noção de família, unindo as irmãs em Melancolia, de Lars Von Trier. Justamente a famílias fissurada de Poesia, do coreano Lee Chang-dong, e a avó que se reconstrói. E, claro, a cena em que o palhaço Paulo José, depois de aparentemente haver sido enganado pela amante jovem, a dispensa e manda embora em O Palhaço, de Selton Mello.
(…) Super 8 é um blockbuster autoral, Woody Allen é puro cinema autoral. Pedro Almodóvar, pois não se pode esquecer de A Pele Que Habito, é ‘o’ autor. Mais uma cena para ficar na lembrança. Elena Anaya olhando a foto daquilo que foi. Grandes momentos do cinema em 2011 construíram-se com trocas de olhares. (…)
Tive o prazer de assistir a todos os citados. Texto completo, n’O Estadão.