[trecho de música] ‘(…) Mas eu disse sós, não disse sozinho / A massa está carente em busca de carinho / Quem é o amigo que vai te salvar? / 5.000 torpedos sobre o céu irão cruzar‘.

‘Em São Paulo, as pessoas não querem ficar sós nunca. Ligam e se encontram o tempo todo. É como se um salvasse a existência do outro‘, diz.

Lucas Santtana (cujo último trabalho, Sem Nostalgia, embalou bons meses da minha playlist) numa bela capa da Ilustrada da Folha de hoje.

+som

O cartunista Laerte Coutinho, de 60 anos, que em 2009 decidiu passar a se vestir como mulher, usar brincos e pintar as unhas de vermelho, está dentro do banheiro masculino quando entra um velhinho. Ao se deparar com a figura de cabelos grisalhos lisos num corte chanel, saia e salto alto, em pé diante do mictório, o homem estaca. ‘Não se preocupe, o senhor não está no banheiro errado’, diz Laerte. E o idoso, resignado: ‘É, eu estou é na idade errada’.

A era do pós-gênero?, na Carta Capital de setembro, mas que só li agora na nova (e ótima) revista Samuel.

UPDATE:

Tem a ver: Otto Guerra na prancha do Piratas do Tietê

(…) ‘em um tablet, ninguém pode ver que você está com a revista’ (…)

(…) ‘a Monocle é um símbolo de status, um adereço a ser exibido para informar aos coitados na classe econômica do avião que o portador faz parte da classe dos estetas internacionais’ (…)

‘Tantas companhias de mídia esquecem o poder da marca, de ter pessoas que exibam e usem essa marca‘, diz.

‘Em circunstâncias públicas, é útil olhar como uma pessoa está calçada e, ocasionalmente, o que está lendo, para determinar se você quer ou não sentar ao lado dela‘.

Tyler Brûlé

+jornalismo

(…) a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio (…)

A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar.

(…) Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. (…) Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes.

Pergunta deste blogueiro: veremos ou já vemos??

Umberto Eco, à Época.

+arte&sociedade

Homens barbados, instrumentos de corda dialogando com trompetes, uma paixão por velhas músicas de Carnaval e um relacionamento desgastado com uma garota chamada Anna Júlia. Tais elementos parecem compor o cenário de uma novela mexicana. Parecem, mas não compõem. Eles fazem parte de uma carreira de 15 anos iniciada nos bares do Rio de Janeiro. Fazem parte do Los Hermanos, banda que em 2012 recebe homenagem em uma coletânea comemorativa.

No Catraca Livre. E dia 16, posso contar com vocês de manhã bem cedo nas filas dos postos de venda??

*lead

+som

O ano é 2011, e enquanto escrevo este texto, no meu quarto, tomando guaraná, todos estão indignados com alguma coisa lá fora. Diariamente, meus amigos e conhecidos de internet me bombardeiam com links de notícias tentando me indignar também. No geral são links que remetem para o site de um jornal, mesmo que este jornal, dias antes (minutos até), tenha sido duramente criticado pelo mesmo indivíduo que me mandou o link. Alguns, percebendo a contradição, logo avisam: ‘ignorem a matéria, mas leiam isto aqui, ó”’ É a maneira que encontram de não concordar com o jornal e, ao mesmo tempo, mostrar o quanto estão indignados com o mundo. Em 2011, é feio concordar com um jornal, mas tudo bem ler as matérias se for para ficar indignado com alguma coisa.

Texto completo.

Pense nos grandes momentos do cinema em 2011. O garoto olhando no fundo dos olhos do monstro para reencontrar o olhar da mãe em Super 8, de J. J. Abrams. Qualquer cena de Woody Allen com Marion Cotillard em Meia-noite em Paris. A sinceridade estampada no rosto de Cécile de France quando ela fala com o garoto da bicicleta, no filme dos irmãos Dardenne. O esplendor da Toscana filmada por Abbas Kiarostami em Cópia Fiel. A luminosidade do corpo celeste em choque com a Terra, no momento em que o menino consegue restaurar a noção de família, unindo as irmãs em Melancolia, de Lars Von Trier. Justamente a famílias fissurada de Poesia, do coreano Lee Chang-dong, e a avó que se reconstrói. E, claro, a cena em que o palhaço Paulo José, depois de aparentemente haver sido enganado pela amante jovem, a dispensa e manda embora em O Palhaço, de Selton Mello.

(…)  Super 8 é um blockbuster autoral, Woody Allen é puro cinema autoral. Pedro Almodóvar, pois não se pode esquecer de A Pele Que Habito, é ‘o’ autor. Mais uma cena para ficar na lembrança. Elena Anaya olhando a foto daquilo que foi. Grandes momentos do cinema em 2011 construíram-se com trocas de olhares. (…)

Tive o prazer de assistir a todos os citados. Texto completo, n’O Estadão.

+cine

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