Matéria publicada no Diário Oficial de Santos, quando eu estagiava na assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde da cidade:
Natural da cidade de Ribeira do Pombal (BA), onde trabalhava na roça, José Francisco Goes da Costa, 35, chegou a Santos em 1989 e conseguiu um emprego de ajudante geral e copeiro em uma pizzaria no [bairro do] Gonzaga.
O primeiro surto de esquizofrenia veio depois de cinco anos. José ficou desempregado, perdeu a namorada e passou a perambular maltrapilho pela cidade, vestindo apenas uma sunga, o que lhe rendeu o apelido de “tanguinha”.
Sua história começou a mudar há pouco mais de dois anos, quando ele iniciou o tratamento na Seção Núcleo de Apoio Psicossocial (Naps) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Hoje em dia vê na coleta de latinhas de alumínio a chance de que precisava para retomar o convívio social.
“O próprio José nos passou o trajeto que ele realiza diariamente. Isso faz parte de um vínculo de confiança estabelecido entre o paciente e o profissional”, conta Márcia Amaral, psicóloga e chefe do Naps III, onde acontece o acompanhamento terapêutico de José.
Pela manhã, ele toma café na unidade (dentro de um procedimento conhecido como AD, Acolhimento Dia) e parte para as imediações do porto. De tarde, José vai para a orla. “Estou me sentindo bem, tomando a medicação correta”, diz.
A remoção dos pacientes psiquiátricos que vivem na rua é feita em parceria com a Secretaria de Assistência Social (Seas). Uma vez nas unidades do Naps, são identificadas no paciente habilidades que possam colaborar na sua reinserção na sociedade. A família tem papel importante para o êxito do tratamento.



