
Mais de 90% dos filmes apresentados no Festival Sundance no início do ano nunca sairão nos cinemas, por falta de
distribuição. Com a crise, é paradoxalmente mais provável que filmes de US$ 150 ou US$ 200 milhões sejam produzidos hoje nos
EUA do que um pequeno filme independente de baixo orçamento.
A lógica dos estúdios mudou: produzir menos filmes, com conteúdo já testado, lançados no maior número de salas ao redor do
mundo, simultaneamente. Nessa equação industrial, o custo não é um problema. O risco, sim. Resultado: o cardápio
cinematográfico norte-americano está se tornando cada vez mais restrito, e o conteúdo, mais conservador.
Em grande parte, “sequels”, “prequels” ou adaptações de séries de televisão. A safra excepcional de 2007 (“Onde os Fracos Não
Têm Vez”, “Sangue Negro”, “Não Estou Lá” e “Zodíaco”, entre outros) não deve se repetir tão cedo. E dá-lhe “Transformers” 2,
3, 4…
(…) Godard e Truffaut instauraram a ideia de que o cinema era uma arte total, o ponto de encontro entre a literatura, o
teatro, a pintura, a fotografia, a arquitetura, a filosofia. Desde então, gerações se formaram tendo o cinema como
instrumento de compreensão e desvendamento do mundo. Como seria viver em um mundo em que esses filmes que vão além do simples
entretenimento não mais existiriam?
Mais de 90% dos filmes apresentados no Festival Sundance no início do ano nunca sairão nos cinemas, por falta de distribuição. Com a crise, é paradoxalmente mais provável que filmes de US$ 150 ou US$ 200 milhões sejam produzidos hoje nos EUA do que um pequeno filme independente de baixo orçamento.
A lógica dos estúdios mudou: produzir menos filmes, com conteúdo já testado, lançados no maior número de salas ao redor do mundo, simultaneamente. Nessa equação industrial, o custo não é um problema. O risco, sim. Resultado: o cardápio cinematográfico norte-americano está se tornando cada vez mais restrito, e o conteúdo, mais conservador.
Em grande parte, ‘sequels’, ‘prequels’ ou adaptações de séries de televisão. A safra excepcional de 2007 (Onde os Fracos Não Têm Vez, Sangue Negro, Não Estou Lá e Zodíaco, entre outros) não deve se repetir tão cedo. E dá-lhe Transformers 2, 3, 4…
(…) Godard e Truffaut instauraram a ideia de que o cinema era uma arte total, o ponto de encontro entre a literatura, o teatro, a pintura, a fotografia, a arquitetura, a filosofia. Desde então, gerações se formaram tendo o cinema como instrumento de compreensão e desvendamento do mundo. Como seria viver em um mundo em que esses filmes que vão além do simples entretenimento não mais existiriam?
Trechos do bom texto escrito pelo cineasta Walter Salles (Diários de Motocicleta, Abril Despedaçado, Central do Brasil) no mini-especial sobre a crise no cinema alternativo/independente que o jornal Folha de S. Paulo publicou hoje no caderno Ilustrada.
Rebecca Yeldham, diretora do Festival de Los Angeles