Realidade do jovem europeu em ‘rap’ [sic]

É sexta-feira
Suei a semana inteira
No bolso não trago um tostão
Alguem me arranje emprego
Bom bom bom bom
Já já já já

Ainda o mês vai a meio já eu ‘tou aflito’
Oh mãe fazias-me rico em vez de bonito

Trechos da música Sexta-feira (Emprego Bom Já), do português Boss AC, citado na coluna Diário de Lisboa, da Isabel Coutinho, na última Ilustríssima, da Folha.

Mais de três milhões de acessos e garanto que a maioria de nós brasileiros desconhecíamos, uma vergonha.

+arte&sociedade

Jornal do fim de semana

Relato dos quatro dias em que o jornalista da Folha Germano Assad ficou retido pela ditadura síria.

O Brasil é hoje a versão 2.0 da Espanha de 2003 – Para economista, Brasil segue o mesmo caminho adotado pela Espanha, de endividamento e de crescimento pelo crédito

Praia no Rio Grande so Sul teria sido ‘balneário’ escolhido por Hitler após hipotética fuga para Argentina.

E por fim, um Laerte:

A primeira promo do ‘Papa’: livro ‘Da Rise and Fall of Da Tower’

‘Odiamos Merkel do fundo do coração’

Sem a União Europeia seríamos um campo de batatas bordejado a praia. A Europa é a nossa única oportunidade. Por outro lado, estarmos numa união implica que qualquer chilique da senhora Merkel [premiê alemã] – que nós odiamos todos do fundo do coração, implica com nossa vida de modo muito insuportável. O próximo passo devia ser os portugueses terem voto nas eleições internas da Alemanha porque a política alemã tem intervenção demasiado direta na vida portuguesa.

valter hugo mãe

Lançamento de livro do valter hugo mãe semana que vem, com Lourenço Mutarelli

+livros

Casamento gay na Argentina pode ter sido manobra política

(Laerte)

Interessante ponto colocado pelo advogado português Miguel Reis, autor do livro Guia Prático do Casamento entre Pessoas do Mesmo Sexo, hoje, na Folha de S. Paulo (não que eu seja contra o casamento gay – muito pelo contrário, mas é que a gente não pode sair por aí acreditando que tudo nessa vida são só boas intenções, né, minha gente??):

Por que lei semelhante ainda não foi aprovada no Brasil?
O Brasil é um país que está em crescimento, que todos os dias festeja grandes progressos econômicos. As forças políticas não estão interessadas, num momento em que as coisas estão correndo bem, em distrair a opinião pública para questões que possam ser guardadas para horas de maior crise. O Brasil não está nas mesmas condições que a Argentina. Ela precisa desse debate nesse momento. A vida econômica de lá não corre tão bem como no Brasil. Esse tema ofuscou um conjunto de problemas.

Sensacional, ainda não tinha me ocorrido isso. Outro trecho interessantíssimo da entrevista concebida à Mônica Bérgamo:

Por que é a favor do casamento entre gays?
[O casamento entre pessoas do mesmo sexo] não significa que tenha que ser entre gays. Pode ser entre pessoas heterossexuais. Isso conduziu a um alargamento de vantagens também de outros grupos. O casamento se transformou numa instituição reguladora de projetos de vida e de patrimônios. Por exemplo, duas senhoras heterossexuais, que têm um apartamento. Uma delas pergunta: ‘Se você morrer, vou parar onde? Quem vai herdar seu apartamento são os seus sobrinhos, e eles me põem na rua’. Qual a solução para isso? Casam-se. Elas são uma família.

Tem a íntegra da entrevista devidamente surrupiada nesse link aqui.

Postando ‘coisa véia’

Excluído o impacto das cenas, portanto, o filme continuou sendo uma encenação ultrakitsch e misógina de conceitos psicanalíticos que já caíram de velho. Lars von Trier se leva tão a sério que só nos resta rir de tanta afetação.

Daniel Piza, publicado primeiro n’O Estadão.

+ sobre Anticristo de Lars Von Trier no Papa


Têm pele escura e muitos fedem porque usam a mesma roupa a semana inteira. Constroem barracos na periferia. Chegam em dois e, poucos dias depois, vêm quatro, seis, dez. Falam uma língua ininteligível. Fazem muitos filhos, que não conseguem sustentar, mas são unidos. Dizem que se dedicam a roubos e, se confrontados, são violentos.

Relatório do Congresso dos EUA sobre os imigrantes italianos – Outubro de 1912

Oesp

(…)
Na infância, catava moedas
que minha mãe deixava na bolsa.

(…)

Na vida adulta, caçava rostos
amassados dos bolsos,
cédulas dobradas nos forros,

(…)

Fabrício Carpinejar no Valor.

+ crise no Papa

Jornal de domingo – tráfico & cinema, livros & impostos, Rússia & pobreza

O homem chega carregado à Assembleia de Deus Ministério da Restauração, em Senador Camará, zona oeste do Rio. 

Olho inchado, as feições deformadas, perna com fratura exposta, está inconsciente de tanto apanhar de traficantes. ‘Era para ter tomado logo um [tiro de pistola] .40 na cara, vendeu pó royal em vez de pó [cocaína]. Demos um pau mesmo, era para ter morrido, tapear os outros é motivo de cerol, cortar todinho e sumir‘, diz para a câmera, de cara limpa, Juarez Mendes da Silva, o Aranha, 28, chefe do tráfico de um complexo com 15 favelas na zona oeste do Rio e 150 ‘funcionários’ armados, ao custo mensal de R$ 94 mil. Foi ele quem determinou a surra. 

Aranha tem tatuagens nos antebraços: em uma lê-se Jesus, na outra Cristo. Jura que pretende abandonar o tráfico para ficar com Jesus. Como controla tudo? ‘É Deus!’ O documentário ‘Dançando com o Diabo’ expõe a complexidade e contradições do universo de violência, do tráfico e da polícia, e a eventual libertação pela religião, em linhas tortas e tênues. 

Documentário mostra rotina do tráfico no Rio

 

(…) a medida mais absurda é a instituição da figura dos ‘mediadores’ de leitura – ou seja, pessoas que tentariam incentivar o hábito de ler na população. Como se vê, o governo do presidente Lula não abandonou a compulsão pelo ‘dirigismo cultural’, que foi evidenciada, em seu primeiro mandato, pelas tentativas de criação de um Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) e de uma Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav). Quem serão esses ‘mediadores’ de leitura? De que modo serão escolhidos? Em que medida isso não pode levar a um festival de contratações de ‘companheiros’? Acima de tudo, o que garante que os ‘mediadores’ sejam mais eficientes do que os professores de ensino básico e como evitar que convertam seu trabalho em mero proselitismo partidário-ideológico?

A extravagante ideia de criação de um imposto para estimular o hábito da leitura só poderia vir de um governo cujo chefe já afirmou várias vezes que não gosta de livros e que não lê ‘porque dá sono’.

O imposto do livro

 


47% dos russos – a maioria, acredita que a causa por alguém ser pobre no país é ‘de responsabilidade da pessoa’

São tempos sombrios para o cinema indie/alternativo

Mais de 90% dos filmes apresentados no Festival Sundance no início do ano nunca sairão nos cinemas, por falta de 
distribuição. Com a crise, é paradoxalmente mais provável que filmes de US$ 150 ou US$ 200 milhões sejam produzidos hoje nos 
EUA do que um pequeno filme independente de baixo orçamento. 
A lógica dos estúdios mudou: produzir menos filmes, com conteúdo já testado, lançados no maior número de salas ao redor do 
mundo, simultaneamente. Nessa equação industrial, o custo não é um problema. O risco, sim. Resultado: o cardápio 
cinematográfico norte-americano está se tornando cada vez mais restrito, e o conteúdo, mais conservador. 
Em grande parte, “sequels”, “prequels” ou adaptações de séries de televisão. A safra excepcional de 2007 (“Onde os Fracos Não 
Têm Vez”, “Sangue Negro”, “Não Estou Lá” e “Zodíaco”, entre outros) não deve se repetir tão cedo. E dá-lhe “Transformers” 2, 
3, 4… 
(…) Godard e Truffaut instauraram a ideia de que o cinema era uma arte total, o ponto de encontro entre a literatura, o 
teatro, a pintura, a fotografia, a arquitetura, a filosofia. Desde então, gerações se formaram tendo o cinema como 
instrumento de compreensão e desvendamento do mundo. Como seria viver em um mundo em que esses filmes que vão além do simples 
entretenimento não mais existiriam?

Mais de 90% dos filmes apresentados no Festival Sundance no início do ano nunca sairão nos cinemas, por falta de distribuição. Com a crise, é paradoxalmente mais provável que filmes de US$ 150 ou US$ 200 milhões sejam produzidos hoje nos EUA do que um pequeno filme independente de baixo orçamento. 

A lógica dos estúdios mudou: produzir menos filmes, com conteúdo já testado, lançados no maior número de salas ao redor do mundo, simultaneamente. Nessa equação industrial, o custo não é um problema. O risco, sim. Resultado: o cardápio cinematográfico norte-americano está se tornando cada vez mais restrito, e o conteúdo, mais conservador. 

Em grande parte, ‘sequels’, ‘prequels’ ou adaptações de séries de televisão. A safra excepcional de 2007 (Onde os Fracos Não Têm Vez, Sangue Negro, Não Estou Lá e Zodíaco, entre outros) não deve se repetir tão cedo. E dá-lhe Transformers 2, 3, 4… 

(…) Godard e Truffaut instauraram a ideia de que o cinema era uma arte total, o ponto de encontro entre a literatura, o teatro, a pintura, a fotografia, a arquitetura, a filosofia. Desde então, gerações se formaram tendo o cinema como instrumento de compreensão e desvendamento do mundo. Como seria viver em um mundo em que esses filmes que vão além do simples entretenimento não mais existiriam?

Trechos do bom texto escrito pelo cineasta Walter Salles (Diários de Motocicleta, Abril Despedaçado, Central do Brasil) no mini-especial sobre a crise no cinema alternativo/independente que o jornal Folha de S. Paulo publicou hoje no caderno Ilustrada.

É um período de desafios para quem não faz filmes de crianças ou para adultos que se comportam como crianças

Rebecca Yeldham, diretora do Festival de Los Angeles

Jornal de segunda: um mundo cada vez menor e o olhar estrangeiro

Vivemos numa era de encolhimento. Economia, jornais, empresas e salários. Mas nem todo encolhimento é ruim. Depois de décadas em que as pessoas foram movidas pelo desejo de adquirir coisas maiores e melhores, hoje parece que o pequeno, o eficiente e o descomplicado ajudarão a evitar o próximo grande inchaço.

Menos páginas significam menos palavras, e essa é a tendência no mundo das mensagens de texto, das atualizações no Facebook e do serviço de microblogging Twitter, em que a regra é enviar mensagens de 140 caracteres ou menos. Como a contagem de caracteres tem importância nesses sites, ferramentas como encurtadores de URL vêm ganhando popularidade, escreveu Jenna Wortham no New York Times. Serviços como TinyURL.com e Bit.ly, que abreviam endereços eletrônicos grandes em links pequenos, estão ampliando seus negócios graças ao desejo de encolher.

“As pessoas gastam em média 22 minutos fazendo compras de alimentos”, disse Phil Lempert, editor do site Supermarketguru, que rastreia tendências de varejo. “Não há tempo para olhar 30 mil ou 40 mil produtos. Estamos ingressando numa era em que as pessoas querem menos variedade”.

E, hoje em dia, uma sacola pequena é realmente tudo o que podemos carregar.

 

Trechos de Ideias para um mundo pequeno

Tem a ver: Encurtador de endereço ganha valor com Twitter e celulares

 

deunonyt

Os leitores “daqui” [onde o correspondente trabalha] são melhores vigilantes do que os leitores “de lá” [país de origem do enviado]. Eles notam erros que um editor ocidental não notaria. E também freiam o impulso de fazermos relatos “exóticos”. Certas lentes para ver um país vendem bem no exterior: a pobreza da Índia; a repressão na China. Mas um batalhão de blogueiros está ansioso por apontar o que for óbvio, e nos mantêm em alerta.

Web “mata” correspondente estrangeiro

*Larry Rohter