Por pouco essa trajetória, que nessa semana culminará com a participação de Neymar no Mundial, não acabou antes mesmo de o hoje badalado atacante santista dar os seus primeiros passos.
‘Nós sofremos um acidente de carro. O Neymar tinha quatro meses’, lembra Santos [pai dele]. ‘Aconteceu em 1992, nós estávamos voltando de Mogi das Cruzes. Foi bastante grave‘, conta. ‘O Neymar sumiu dentro do carro’.
‘Eu não conseguia me mexer. Quando fui resgatado, eu e minha esposa só gritávamos ‘meu filho, meu filho’. Nos tiraram, mas a gente ficou gritando que o neném ainda estava lá. Quando conseguiram tirar o Neymar, ele estava lavado de sangue. Naquele momento, eu pedi para Deus me levar, eu estava incapaz de fazer qualquer coisa’.
A cena, a princípio assustadora, tornou-se tranquilizadora pouco tempo depois, quando Santos percebeu que o filho sofrera apenas um pequeno corte na cabeça.
‘Foi um vidro que o acertou e melou o Neymar inteirinho [de sangue]. Foi um momento muito difícil’.
As lesões provocadas pelo acidente ajudaram a encurtar a carreira de Santos como jogador de futebol. Vagando por times de pequeno porte, decidiu parar em 1997, aos 32 anos, no Operário-MT.
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Em seu jogo, fantasia e eficiência se misturam, quando não se confundem. É algo que o brasileiro não via desde o auge dos Ronaldos, e com regularidade inédita desde Pelé: o brilho não diminui nem quando a partida nada vale, imune a botinadas dos marcadores, más arbitragens e tentações extracampo.
Neymar mostrou maturidade e rara visão de jogo, também, ao recusar a transferência para o exterior. Notou não só que a Europa atravessa grave crise econômica, mas que a Copa-14 deslocará para o Brasil o eixo de toda uma indústria.
Mais: embora se estranhem, a Fifa e o poder público estão amarrados ao destino do evento. Isso tudo exigirá enorme esforço publicitário. A máquina rodará atrás de um rosto que fale a adultos e crianças, homens e mulheres, boleiros e torcedores de ocasião.
Neymar tem tudo para se dar bem no papel, ao contrário dos eleitos anteriores – Kaká era ‘clean’ demais; Ronaldinho Gaúcho preferiu as delícias da privacidade; o Fenômeno, vítima de tantas contusões, só virou ídolo no país depois que embalofou e vestiu Corinthians.
O bacana: o santista destoa dos padrões de beleza dos craques do marketing, como Beckham e Cristiano Ronaldo. Mas já inspira meninos a (des)arrumarem o cabelo.
Seu sucesso terá um impacto estético. Justiça será feita a todo mulato magriça, que reconhecemos no office boy, no caiçara, em tantos jovens e anônimos trabalhadores.
UPDATE - tem tudo a ver:





Bru Loureiro e Lia Mendes
Rapha Tognini
Suzane Cavalcante