… no filme O Uivo da Gaita, inspirado em produções do gênio e louco Julio Bressane e do Rogério Sganzerla, dos anos 70. Com dedo do Canal Brasil, deve estrear ano que vem. No Ancelmo.
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‘Da força da grana que ergue e destroi coisas belas’*
Falando em Aguinaldo [Silva], ele declarou que em suas novelas nunca vai rolar o beijo gay.
Ele está tendo uma atitude que, para mim, é uma surpresa. Bastante retrógrada. Recentemente, escutei ele se manifestando contra a criminalização da homofobia, que é uma espécie de bandeira do movimento, alegando que não há necessidade. É surpreendente ver isso de um cara que foi militante gay desde os anos 70. Talvez o comodismo de ele ser um cara bem remunerado pela Globo tenha tirado dele a consciência de que as conquistas não estão consolidadas, que precisamos estar constantemente alertas e lutar por esses direitos. Não se pode retroceder. Desse jeito, a mentalidade homofóbico ganha terreno.
O autor Glauco Mattoso (besteira chamar um escritor só de poeta), bem lúcido, em entrevista à nova H Magazine.
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O rock do homem hétero branco vs. a disco das divas e dos gays
Textinho que o Bryan (não conhece?? Passa lá na Realejo pra conhecer pessoalmente) me mandou por e-mail:
But the real animosity between rock and disco lay in the position of the straight white male. In the rock world, he was the undisputed top, while in disco, he was subject to a radical decentering. Disco was an extended conversation between black women female divas and gay men. Straight men were welcome to join the party, but only if they learned the lingo. Some did, but for many, this new demand aroused a kind of ‘castration anxiety’, as Alice Echols put it in a 1994 essay. Disco symbolized a world where straight men were not only expected to engender the female orgasm, but to incorporate it.
Only by killing disco could rock affirm its threatened masculinity and restore the holy dyad of cold brew and undemanding sex partners. Disco bashing became a major preoccupation in 1977. At the moment when Saturday Night Fever and Studio 54 achieved zeitgeist status, rock rediscovered a rage it had been lacking since the ’60s, but this time the enemy was a culture with ‘plastic’ and “mindless” (read effeminate) musical tastes. Examined in light of the ensuing political backlash, it’s clear that the slogan of this movement—”“Disco Sucks!”—was the first cry of the angry white male.
The rock/disco wars might seem silly in retrospect if it weren’t for the deadly seriousness with which they were waged at the time. In a 1979 end-of-year summation, Rolling Stone,the index of cultural regression, surveyed the field of battle like military strategists: ‘You can say that the first six months [of 1979] belonged to disco… and that the last six months belonged to the brave young rockers’. The turning point was the July ‘Disco Demolition’ rally in Chicago’s Comiskey Park. The event’s original gimmick involved blowing up disco records between games of a doubleheader, but the charged-up crowd lost control and began tearing up the stadium. Comiskey turned into a giant coded gay bashing, a frightening harbinger of an enraged, homophobic America, given sanction in the mock-patriotic venue of a baseball stadium.
By 1980, disco had become a dirty word. The term was banished from the language as an added security measure, but the music was exported to England, where it was de-gayed and re-exported to the States under a new name: ‘new wave dance music’. The rock majority was satisfied by the replacement of explicitly gay Sylvester with flamboyantly closeted Boy George. As the playlist segued from ‘I’m Coming Out’ into ‘Do You Really Want To Hurt Me’, the pulverization of the liberal imagination became a political fact. Ronald Reagan was elected president, and the following June, a mysterious new ‘gay cancer’ appeared.
+arte&sociedade
‘Nunca vi jornalista colocar ‘hétero assalta homem’
(…) o jornalismo foi no Brasil a primeira profissão a incluir no código de ética a observação contra a discriminação por orientação sexual. (…) No passado, encontrávamos jornais com manchetes chamando homens gays de ‘viado’. (…)
Tivemos um problema sério com a Record, que fez uma matéria falando do Kit Contra a Homofobia. Foi um programa desastroso, manipulado, editado e reeditado. A reportagem foi feita de forma que prejudicasse muito mais do que esclarecesse. O programa editou as frases e distorceu a informação.
A ABGLT fez um manual de comunicação para evitar erros como o tratamento às travestis pelo gênero masculino, o que é uma ofensa. Ou falar dos assuntos relacionados aos gays como opção sexual. Ninguem escolhe ser homossexual, portanto, é importante usar o termo correto: orientação sexual. No Brasil, inúmeros veículos ainda falam homossexualismo. Este termo foi ‘extinto’ em 1990, quando a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença. (…)
Vejo notícias em que os jornalistas colocam ‘travesti assalta homem’, mas nunca os vi colocando: ‘hetero assalta homem’. (…)
Bolsonaro não é uma fonte segura de informação sobre direitos humanos. Ele é a favor da ditadura, da pena de morte. É além de tudo a pessoa que chamou o ex-presidente Lula de bêbado e atual presidente Dilma de terrorista. Alguem que tem opiniões totalmente contra os direitos humanos, contra negros, contra políticas públicas afirmativas, não tem nível sociocultural para ser um informante e por isso ele se apega ao sensacionalismo.
Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), na Imprensa.
+gay
+jornalismo
Herchcovitch quer sair
‘Orgia’
Resenha sobre o Orgia, do argentino Tulio Carella, pensado para revista Rolling Stone Brasil:
Nova edição de livro esgotado há décadas expõe perdição na cidade
No convite para dar aulas de teatro na ‘Veneza dos trópicos’, o ilustre autor argentino encontra a fuga para o casamento de 30 anos e uma alternativa à cena intelectual acomodada de Buenos Aires, com a ditadura à espreita. Mas principalmente, é arrebatado pelos tipos moreno e negro (até o chamado cabra, de pele mais clara) durante as incessantes caminhadas em busca do mais puro sarro nas várias pontes, becos e demais aglomerações da cidade. Ainda assim é um ensaio sobre a solidão: o prazer em excesso prometido no título custa a engatar, e fica mais nas insinuações e tentativas frustradas. No meio tempo, sob o pseudônimo de Lúcio Ginarte (Ariano Suassuna, com quem convive, tambem surge “mascarado”), esboça um afetuoso retrato da socidade brasileira – recifense, em especial, que soa provinciana para a época. Descobertos pela repressão, os longos parágrafos, de um refinamento natural, viraram objeto de culto e levaram o autor à prisão no Brasil. Na terra natal, ainda amarga o ostracismo.
+livros
‘Gandalf’ faz turnê para tirar gays do armário em escolas’
‘Vocês conhecem alguém que seja gay?’, pergunta Sir Ian McKellen, o Gandalf do filme Senhor dos Anéis, para uma turma da escola Hundred of Hoo, em Kent (Reino Unido). Silêncio. Acenos negativos de cabeça. ‘Agora conhecem. Eu sou’.
‘Eu também’, diz um aluno. Um outro colega também se assume. ‘Bem, quem diria? Parece que temos alguns gays a mais do que imaginávamos’, diz McKellen.
É o terceiro mês da sua turnê por escolas britânicas, representando a Stonewall, organização pelos direitos gays da qual ele é cofundador.
‘Não apenas alunos saem do armário nas minhas visitas. Funcionários também’.
Na Hundred of Hoo, uma aluna de 12 anos diz: ‘Nós procuramos você no Google, Ganda…, quero dizer, Sir Ian!
Ficamos muito surpresos ao saber que você é gay‘. Ela explica: ele não parece com os gays da TV. McKellen, que se assumiu em 1988, aos 49, responde que há gays com todo tipo de personalidade.Ele pede, por exemplo, que as aulas de biologia mostrem como o reino animal está cheio de bichos gays.
Folha
+gay
Bolsonaro

Coincidência com o zeitgeist eu ter começado a ler esta HQ agora (presente do Bryan, da Realejo – desculpa aí pela demora em começar, hein?). Texto de apresentação da contra capa:
E lá vamos nós: o mundo ocidental perdeu definitivamente o rumo.
As forças políticas conservadoras devem começar a roer as unhas, os cardeais devem colocar as barbas de molho, o mal está feito: a família está em perigo!
Homens e mulheres homossexuais buscam formalizar suas relações, estabelecendo uma parceria entre o mesmo sexo a despeito do que rezam os ‘bons costumes’.
Até Conrad e Paul, que estão juntos já há 15 anos em uma vida conjugal selvagem, ficam um tanto perturbados em virtude de agora poderem se beijar oficialmente.
Evidentemente, nem a estranha relação de Paul com o jovem turco homofóbico, nem a mãe reacionária de Conrad à beira de uma crise nervos facilitarão seu plano, que é no entanto politicamente correto…
O sensacional Andrício de Souza tambem tem algo a dizer sobre o assunto:
TEM A VER: O último triângulo rosa
‘Sem um cristo para resgata-lo’
Vivemos um tempo, no Brasil, em que ninguém mais pode defender temas divergentes de uma tradição religiosa sem sofrer represálias morais — e, eventualmente, hipócritas. Direito ao aborto, legalização da maconha, casamento homossexual? Abordar qualquer desses assuntos é correr o risco de, com licença para a metáfora bíblica, ser apedrejado em praça pública sem um Cristo para resgatá-lo.
O crítico André Miranda, n’O Globo de ontem, usa o começo da crítica sobre o filme Como Esquecer (sobre uma professora universitária lésbica vivida por Ana Paula Arósio, que foi largada pela namorada – uma produção, no entanto, de (…) tom extremamente barroco para uma história cujas referências são tão modernas, segundo o crítico) para criticar a farofada que virou o segundo turno das eleições presidenciais.
UDPATE - tem a ver: Como a política pode provocar retrocessos sociais (Blog da Editora Contexto)
Jornal de domingo – O lado B dos Beatles
Hamburgo foi uma jornada de iniciação num porto estrangeiro, cuja geografia tem paralelos com a de Liverpool, berço natal dos heróis ingleses. Foi num inferninho chamado Indra Club, antigo bar de strip tease na Grosse Freiheit, que eles cantaram (em alemão) Komm gib mir deine Hand (I Want to Hold Your Hand). Tocavam seis horas por noite para bêbados e depois iam dormir atrás da tela de um cinema imundo, o Bambi Kino. A evolução do senso de identidade do grupo se deu ali, nessa rebeldia contra o ethos burguês, na busca de afirmação marginal e individual dos heróis. George Harrison tinha apenas 17 anos. Paul McCartney tentou incendiar sua cama no Bambi Kino. Foi parar na cadeia. Lennon juntou-se a eles na ‘humilhante’ volta a Liverpool.
(…) a aproximação de Lennon do empresário Brian Epstein não foi só musical. Epstein, que praticava sexo violento com operários, segundo o autor, mantinha um apartamento para encontros casuais na Falkner Street, em Liverpool, e interpelou timidamente Lennon em 1963, quando a Inglaterra ainda punia com a prisão os homossexuais. Epstein teria sublimado essa paixão ao se tornar empresário do grupo (…)
O lado B dos Beatles num ensaio sério









