Teresina, com mais de 800 mil habitantes, é atendida por um só carro de resgate dos Bombeiros, diz a Associação dos Bombeiros Militares do Piauí (Abmepi). (…) Comandante do Corpo de Bombeiros, o coronel Manoel dos Santos disse ter recebido três carros novos do governo federal. Mas, antes de usa-los, espera agendar com o governador um evento de entrega oficial.
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‘… que pode recordar suas vidas passadas’
O condicionamento pela linguagem do cinema dominante chegou a tal ponto que ficou difícil assistir a um filme que recusa deliberadamente as convenções narrativas usuais. Nesse aspecto, [o diretor Apichatpong] Weerasethakul merece cumprimentos.
Trecho da crítica que o Eduardo Escorel fez de Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas (um dos filmes mais estranhos a que já assisti na vida) no blog Questões Cinematográficas, da revista Piauí; na sessão em que eu estava, do Cine Sesc em São Paulo, vi só uma pessoa sair da sala antes do fim.
+cine
Da Piauí, 2 – De como Barretão recusou Woody Allen

Os e-mails são impressos pela secretária e respondidos por ele [Luiz Carlos Barreto] à mão, para depois serem digitados e devolvidos ao remetente. E-mails que não lhe despertam o interesse são amassados e jogados no chão. (…)
Resolveu checar e-mails, que estavam impressos sobre a mesa. (…) ‘Esse aqui é do pessoal do filme do Woody Allen no Brasil. Os caras querem parceria’. Descartou. ‘Esse é da revista Época. Querem que eu escreva um texto sobre o Lula, que foi eleito uma das dez personalidades do ano’. Ele riu e disse: ‘Escrevo, mas quero saber quanto me pagam’.
Da Piauí, 1 – Aqui passava um rio
‘Caetano, Gil, Bethânia e Gal se naturalizam maranhenses’
SÃO LUIS – A avenida José Sarney e as ruas Presidente Sarney, Marly Sarney e Sarney Filho (além da Travessa Sarney, da Praça Zequinha Sarney e da Ponte Governador José Sarney) foram fechadas ontem para receber os cantores Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa que, após décadas de serviços prestados à cultura baiana acabam de se naturalizar maranhenses. ‘É com extrema alegria que nos juntamos a esse povo todo lindo e odara, que assim como o baiano também acentua o primeiro ‘ó’ da palavra córação‘, declarou o cantor, compositor, pensador e maranhense Caetano Veloso, feliz por não ter lido O Estado de S. Paulo ontem. Gil também se pronunciou, mas até o fechamento desta edição não foi possível compreender o que ele disse.
A naturalização do quarteto é mais uma realização da governadora Roseana Sarney. No seu discurso de posse em março, ela disse: ‘É preciso haver uma distribuição mais democrática da cultura. Os compositores não podem citar a Bahia a cada cinco canções, ao passo que o Maranhão continua sendo o patinho feio da Música Popular Brasileira’. Os quatro ex-baianos prometem adaptar rapidamente suas canções, mesmo que ao arrepio de melodia e ritmo. Dentre as primeiras medidas estão as conversões de Na Baixa do Sapateiro (Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia / A morena mais frajola do Maranhão), Bahia com H (Salve o santo Maranhão imortal, Maranhão dos sonhos mil, / Eu fico contente da vida em saber que o Maranhão é Brasil) e, mais importante, O que é que a baiana tem? (O que é que a maranhense tem? / Governo do estado, tem? / Papai no Senado, tem / Como ela requebra bem!).
+Piauí no Papa
As intermitências da morte*
Mas ela [a religião] era verdadeira? Não. Então por que sentir falta dela?
Porque ela era uma ficção sublime, e é normal a pessoa ficar triste ao fechar um grande romance.
*
‘Sr. Barnes, examinamos o seu estado e concluímos que seu medo da morte está intimamente ligado aos seus hábitos literários, que são, como ocorre com muitos outros na sua profissão, meramente uma resposta trivial à mortalidade. O senhor inventa histórias para que o seu nome, e uma porcentagem indefinível da sua individualidade, continue a existir depois da sua morte física, e a antecipação disto lhe traz um certo consolo. E, embora o senhor tenha compreendido racionalmente que pode vir a ser esquecido antes de morrer, ou logo depois de morrer, e que todos os escritores um dia serão esquecidos, assim como toda a raça humana, mesmo assim o senhor acha que vale a pena fazer isso. Se escrever é para o senhor uma resposta visceral ao racional, ou uma resposta racional ao visceral, nós não sabemos. Mas aqui está uma coisa para o senhor refletir. Concebemos uma nova operação no cérebro que acaba com o medo da morte. É um procedimento simples, que não exige anestesia geral – na verdade, o senhor pode assistir pela tela. Basta olhar para este local de um tom brilhante de laranja e ver a cor ir desbotando aos poucos. É claro que o senhor vai verificar que a operação tirará também o seu desejo de escrever, mas muitos dos seus colegas optaram por este tratamento e o acharam extremamente benéfico. Nem a sociedade reclamou do fato de haver menos escritores’
A Consciência da morte, de Julian Barnes, na Piauí de agosto.
Olhar estrangeiro
(…) estamos com uma nova cozinheira, do ‘Norte’ (o ‘Norte’ é encarado mais ou menos comos nós encaramos o ‘Sul’ [dos Estados Unidos]‘
(…) famílias grandes são o estilo predominante: dez ou doze. Todos os meninos se chamam ‘José’ alguma coisa e todas as meninas se chamam ‘Maria’ alguma coisa. Esses nomes são sempre abreviados em apelidos absurdos que pegam para a vida toda. Conheci um muito elegante, ‘Magu’, para Maria Augusta (…) Bem, eu não me incomodaria com as famílias grandes se ficassem restritas à classe alta (…)
Estou dividida entre os prazeres de ser incansavelmente servida, ainda que de modo displicente, por todos os nossos pequenos negros, ou fazer uns ovos mexidos direito para mim mesma…
(…) a inflação aqui anda mesmo muito ruim – houve duas pequenas quase revoluções. Bem, o homem que fixa o índice de reajuste dos preços foi mandado para o enterro do papa e agora os brasileiros andam dizendo: ‘Ele chegou lá e o papa pulou de XII para XXIII’.
Trechos da troca de correspondências entre os poetas norte-americanos Elizabeth Bishop e Robert Lowell, na Piauí de agosto.
Lendo coisa véia #2: COMBO
(…) Renato Russo sabia ser bem insuportável. Era o chato do gênero ‘cabeça’. Metido a cinéfilo, certa vez se irritou com o enredo convencional de Brubaker, filme estrelado por Robert Redford – e se levantou no meio do cinema para insultar, aos gritos, a plateia “burra” que apreciava aquele lixo de Hollywood.
Uma pesquisa sobre o folhetim [Caras e Bocas] concluída na semana passada pela Globo apontou que o animal [o macaco] – que na verdade é uma fêmea, de nome Keith – é tão popular quanto o casal protagonista.
Fico pensando no menino inglês Alexander Bjoroy, de 11 anos, que estava desacompanhado no voo AF 447. Alex tinha passado um período de férias com os pais que moram no Brasil e voltava para a escola na Inglaterra. Viajei sozinha de avião com essa idade diversas vezes e lembro que, apesar de todos os paparicos recebidos das aeromoças, ter de cumprir o percurso entre o Brasil e a Europa no ventre do monstro mecânico sem o amparo dos pais é uma sensação desconcertante para uma criança.
Confio que Alex tenha encontrado alguém em quem se apoiar, que não tenha tido tempo de experimentar medo ou sentir-se abandonado.
(…) eu quero crer que, quando as coisas começaram a dar errado no voo da Air France, um dos comissários tenha se disposto a sentar com o menino e a envolve-lo nos braços.
Outro destaque do filme [A Festa da Menina Morta] é a participação de Paulo José, que visitou o set e acabou no filme. ‘Ele disse que poderia fazer um padre, um louco ou um bêbado. Eu sugeri que ele fizesse um padre louco bêbado’, conta o diretor [Matheus Nachtergaele].
Prop8
Em tempos da #prop8 nos Estados Unidos, decisão judicial que validou o veto ao casamento gay na California (atendendo ao clamor das urnas, inclusive de 70% dos afro-americanos, ‘minoria’ [sic] historicamente discriminada, vai entender…), o marchand Marcantônio Vilaça já deu o seu pitaco sobre o assunto, retirado da edição de maio da Piauí:
Charles Cosac, um dos donos da editora Cosac Naify, era seu vizinho de prédio na avenida São Luís, no centro de São Paulo. Volta e meia trocavam telefonemas para reclamar da solidão: “A gente tinha a mesma opinião sobre casos amorosos. Achávamos uma bobagem essa história dos gays que lutam para casar, ter filho e reproduzir o modelo tradicional de família que precisaram quebrar. Eu e Marcantonio sabíamos que a nossa escolha sexual significava levar uma vida mais nebulosa, em que a rejeição é a prima mais próxima“. Cosac vive hoje num apartamento de 1 200 metros quadrados no bairro de Higienópolis, na companhia de dois pastores alemães e muitas obras de arte.
‘Sárney e Eu’
Livros
Infantil
Sárney e Eu, de John Grogan
Sárney e Eu é a história comovedora de um casal de jornalistas – John e Jennifer – e seu bichinho de estimação, Sárney, “o pior cão do mundo”. Depois de um longo e harmonioso namoro, os dois decidem se casar. Tomados pelo entusiasmo inebriante dos jovens apaixonados, John e Jennifer começam uma nova vida em West Palm Beach, Maranhão, onde compram o cãozinho Sárney. O que era para ser apenas alegria vira uma incrível aventura. Em pouco tempo, o filhote de buldogue se transforma nim gigantesco parlamentar bigodudo, alegre, pimpão e muito, muitito levado. Sárney baba nos convidados, invade o quintal do vizinho, enterra ossos em jardins alheios e abocanha tudo que vê pela frente, não poupando móveis, carteiras, comissões de ética ou diretorias do Senado. Uma farra repleta de ternura e verbas de representação.
Não é a toa que a Piauí é a melhor revista do Brasil.












