Jornal de domingo

Há quem ligue até para saber quando termina o horário de verão.

 

Enquanto São Paulo ainda engatinha com o projeto de bicicletas públicas pela cidade – o único projeto foi inaugurado pelo Metrô no ano passado e conta apenas com 220 magrelas -, cidades europeias e americanas já discutem e testam a adoção de carros públicos comunitários. São veículos como qualquer outro, sem muito luxo ou potência, mas que podem ser usados pela população apenas mediante inscrição e pagamento infinitamente menor do que o custo de possuir o próprio carro. Os resultados agradam a todos – exceto à indústria automotiva, claro… 

(…)

Apesar de contar com um exemplar sistema de ônibus e metrô, além de ciclovias por todos os cantos, Estocolmo, na Suécia, talvez seja o exemplo mais bem-sucedido da adoção do “public car” – lá, são as associações de bairros e condomínios que compram pequenas frotas de carros em sistema de cooperativa. Para abrir a porta e dar a partida, o cliente só precisa ligar para um número pelo celular. E não é preciso trocar o óleo ou colocar gasolina, uma vez que toda a manutenção é feita pela cooperativa. A cobrança, que custa cerca de US$ 6 por hora, vem na própria conta do celular.

 

As fichas de Santiago. Fiquei muito impressionado com elas, com essa obsessão do personagem. A impressão que dá é que ele se segurava naquilo para não pirar, ou, pelo menos, para não se desesperar. Você não teve a curiosidade de perguntar a ele por que ele fazia aquele trabalho imenso e, em aparência, tão despido de sentido? 

O valor dessas fichas é o fato de elas fazerem sentido só para ele. Alguém escreveu que uma das tarefas mais difíceis da vida é dar sentido à própria existência. Talvez seja isso mesmo. O grande truque do Santiago foi ter encontrado esse sentido se dedicando a algo sem nenhum uso ou função. A rigor, essas fichas são inúteis. As pessoas me perguntam por que elas não são publicadas. A resposta é simples: porque em grande parte elas são cópias. Para Santiago, isso não fazia diferença. Ele falava das listas com tanta paixão que seria quase uma afronta perguntar por que ele as fazia. A gente pode conjecturar. Até onde vou, as fichas eram uma estratégia para evitar o desaparecimento daquelas pessoas que ele prezava tanto. Enquanto se lembrasse delas, todas existiriam. Desconfio que Santiago tinha uma concepção de morte parecida com a dos gregos. Enquanto a memória persistisse, a vida também persistiria. Morrer era ser esquecido. Por isso ele se lembrava, até mesmo em voz alta. Se estou certo, então não importa se a gente acredita nisso. Ele acreditava. Naquele apartamento, os grandes personagens só morreriam com a morte dele. E o curioso é que, como o filme mantém viva a memória de Santiago, e Santiago dá vida aos personagens, ele talvez dissesse: cumpri meu dever para além da minha morte, mantive meus personagens vivos. Quem sabe não é por isso que ele concordou em ser filmado? 

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Uma consideração sobre “Jornal de domingo”

  1. hehehe.. mto bacana seu blog..
    Sobre a Realidade Aumentada do Estadão: Testei e funcionou desde a primeira vez.. agora é esperar pra ver se esse fogo pega e vira incêncio, ou se vira brasa..
    Abs

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