Desumanas

A Questão Humana (França, 2007). É de esperar que um título de filme como este provoque no espectador aquela mordidinha tensa no canto do lábio. E a projeção tampouco colabora para dissipar o estigma de certa forma negativo que recai sobre mais esse ‘filme-cabeça-europeu’ (uma injustiça em vista da produção diversificada do Velho Continente).
Psicólogo que utiliza as mais modernas técnicas (por ele mesmo desabonadas) para recrutamento de funcionários na filial parisense de uma indústria química alemã, o personagem vivido por Mathieu Amalric (melhor em O Escafandro e a Borboleta) é escalado por um superior para diagnosticar o comportamento supostamente fora do comum de um outro diretor.
É quando a trama descamba para a teoria da conspiração empresarial (e sentimental também!) e vai cair mais uma vez naquelas feridas abertas durante a Segunda Guerra na Europa, e que custam a cicatrizar – especialmente no cinema.
Isso em meio ao desfile melancólico e pretensiosamente experimental de sequencias arrastadas, em que o cinemão de Hollywood logo meteria um corte. Também das relações disfuncionais, distantes e frias dos personagens (principalmente entre protagonista e o sexo feminino) se comparado ao calor do lado de fora ao local em que o filme era exibido, no Cine Arte Posto 4, de Santos, dentro do 35º Festival Sesc Melhores Filmes.
Vai ver que, por essa mesma razão, um filme de cores tão quentes como Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, presente na mesma mostra, tenha superlotado a sala em sessão anterior.
Híbrido entre O Grande Chefe (de Lars Von Trier) e suas relações disfuncionais no ambiente de trabalho, com o também francês Caché, outros dois exemplos tão dispares da recente produção européia, Questão… é filho direto e se parece mais com o segundo exemplo (também pela questão geopolítica), e que instituiu uma questionável fórmula intelectual, que pode até funcionar nos círculos ditos mais cultos, mas que por isso gira em falso no resultado final.
É como diz a personagem que deflagra toda a ação em Questão…, a secretária do diretor investigado pelo psicólogo/Amalric: as pessoas tendem a se afastar de quem emana tristeza, como se fosse uma doença. O filme sofre do mesmo mal.

A Questão Humana (França, 2007). É de esperar que um título de filme como este provoque no espectador aquela mordidinha tensa no canto do lábio. E a projeção tampouco colabora para dissipar o estigma de certa forma negativo que recai sobre mais esse ‘filme-cabeça-europeu’ (uma injustiça em vista da produção diversificada do Velho Continente).

Psicólogo que utiliza as mais modernas técnicas (por ele mesmo desabonadas) para recrutamento de funcionários na filial parisense de uma indústria química alemã, o personagem vivido por Mathieu Amalric (melhor em O Escafandro e a Borboleta) é escalado por um superior para diagnosticar o comportamento supostamente fora do comum de um outro diretor.

É quando a trama descamba para a teoria da conspiração empresarial (e sentimental também!) e vai cair mais uma vez naquelas feridas abertas durante a Segunda Guerra na Europa, e que custam a cicatrizar – especialmente no cinema.

Isso em meio ao desfile melancólico e pretensiosamente experimental de sequencias arrastadas, em que o cinemão de Hollywood logo meteria um corte. Também das relações disfuncionais, distantes e frias dos personagens (principalmente entre protagonista e o sexo feminino) se comparado ao calor do lado de fora ao local em que o filme era exibido, no Cine Arte Posto 4, de Santos, dentro do 35º Festival Sesc Melhores Filmes.

Vai ver que, por essa mesma razão, um filme de cores tão quentes como Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, presente na mesma mostra, tenha superlotado a sala em sessão anterior.

Híbrido entre O Grande Chefe (de Lars Von Trier) e suas relações disfuncionais no ambiente de trabalho, com o também francês Caché, outros dois exemplos tão dispares da recente produção européia, Questão… é filho direto e se parece mais com o segundo exemplo (também pela questão geopolítica), e que instituiu uma questionável fórmula intelectual, que pode até funcionar nos círculos ditos mais cultos, mas que por isso gira em falso no resultado final.

É como diz a personagem que deflagra toda a ação em Questão…, a secretária do diretor investigado pelo psicólogo/Amalric: as pessoas tendem a se afastar de quem emana tristeza, como se fosse uma doença. O filme sofre do mesmo mal.

 

Três Curtas
Haynes e o calcanhar de aquiles da originalidade

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