Romulo Froes fala com o ‘Papa’ antes de abrir a Flip

Começa hoje a Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), maior evento do gênero no Brasil, sediado no balneário fluminense.

Quem abre o show de Adriana Calcanhoto (que até já lançou livro depois de fazer ‘alôka’ em Portugal) é o Rômulo Fróes, outro habituê deste blog ao lado do Caio Bosco.

Ou seja, quem abre de verdade a Flip é o Rômulo, às 21h30 (apesar de uma palestra marcada para as 19h).

Aproveitando a ocasião, entrevistei o cara por e-mail sobre a relação dele com a litertura (até porque, sobre a música que o fera faz, você já deve ter ouvido falar – e até baixado. Não? Such a shame…)

Segue a íntegra da conversa [blog-da-Petrobras-feelings], com uma ediçãozinha ou outra que não compromete em nada a mensagem do Rômulo:

1. Será que o público de um evento literário que ‘topa’ com o seu show – como no caso da Flip – é diferente da sua platéia costumeira, mais ‘indie’? (não que o ‘indie’ mais, digamos, ‘musical’, não leia, longe disso) Ou a internet já tratou de apagar essas linhas que dividem os ‘guetos’ da literatura e da música independente, por exemplo?? (se é que ainda existem esses ‘nichos’…)
R: Pra começar a responder essa entrevista é preciso deixar claro uma coisa, eu não sou o letrista de minhas canções, já fiz algumas letras, mas nenhuma delas entraram nos meus discos. Dia desses fui ao programa de rádio do professor Pasquale Cipro Neto, o Letra e Música e ao saber que eu não fazia as letras, ele se mostrou um pouco apreensivo, mas minha justificativa habitual o tranquilizou e acabou que ele gostou muito da nossa conversa. Eu prezo tanto pela letra de uma canção e me interesso tanto por esse assunto que não as faço, sinceramente, acho que a letra tem cinquenta por cento ou mais de importância em uma canção, para mim uma melodia fraca com uma boa letra, se torna uma boa canção e uma ótima melodia com letra ruim a faz uma canção menor. Não sei se o público da Flip vai me receber diferente de outros públicos que eu encontro nos shows que faço por aí, o que eu sei é que as condições técnicas e o lugar onde toco influem muito na percepção das minhas canções. Como disse, a letra é elemento fundamental para chegar ao meu trabalho e se as pessoas que vão aos meus shows não a entendem, seja por problemas técnicos ou por estarem mais ligadas na balada do que no show, acabam perdendo contato com a minha música. Supostamente, um público de um festa literária vai estar mais ligado no que dizem as canções e se eles conseguirem ouvir as letras, tenho certeza que vão reparar na construção sofisticada que elas possuem, gostando ou não.
2. A literatura inspira de alguma forma o seu trabalho?
R: Apesar de como disse antes, não fazer as letras, eu diria que sim, me sinto influenciado pela literatura, assim como pelo cinema e ainda mais pelas artes plásticas, por ser o meio em que eu trafego com mais intimidade (meus parceiros mais constantes são os artistas plásticos Nuno Ramos, com quem também trabalho como assistente e o Clima). Mas o que o que mais me influencia é a própria música brasileira, eu procuro conhecê-la profundamente para a partir daí tentar propor novos caminhos à ela.
3. E o teu envolvimento com a literatura, extrapola de alguma forma a posição de simples leitor?
R: Se não faço ainda letras que me satisfaçam, nos últimos tempos tenho exercido o hábito de escrever sobre música, especialmente sobre a produção atual, porque acho que a crítica musical hoje perdeu o foco na criação e só se preocupa em fazer futurologia nesses tempos de revolução do meio de música. O artista lança um disco e só querem saber dele se ele acha que o disco vai acabar, o que ele acha da pirataria, da internete, do fim das gravadoras, não estão interessados na música. E eu te digo, ela vai bem, tão bem que eu me sinto na obrigação de registrar o grande momento porque passa a música brasileira, a quantidade de artistas interessantes e de grandes discos é comparável as melhores fases de sua história.
4. O que você tem lido atualmente?
R: Eu sempre leio muito sobre música, sejam biografias ou ensaios e acho que aos poucos vai se melhorando o acervo sobre música brasileira. No momento acabo de ler Dorival Caymmi, da coleção Folha Explica, escrito pelo Francisco Bosco, muito bom. Li também uma seleção de entrevistas da Bondinho, publicação independente que circulou no começo dos anos 70, sensacional! E agora começo a biografia de Carmem Miranda escrita pelo Ruy Castro. 
5. E livros de cabeceira, quais são os seus?
R: Crime e Castigo (Dostoiévski), O Estrangeiro (Albert Camus) e o Balanço da Bossa (Augusto de Campos).

PAPAGOIABA Será que o público de um evento literário que ‘topa’ com o seu show – como no caso da Flip – é diferente da sua platéia costumeira, mais ‘indie’? (não que o ‘indie’ mais, digamos, ‘musical’, não leia, longe disso) Ou a internet já tratou de apagar essas linhas que dividem os ‘guetos’ da literatura e da música independente, por exemplo?? (se é que ainda existem esses ‘nichos’…)

RÔMULO FRÓES Pra começar a responder essa entrevista é preciso deixar claro uma coisa, eu não sou o letrista de minhas canções, já fiz algumas letras, mas nenhuma delas entraram nos meus discos. Dia desses fui ao programa de rádio do professor Pasquale Cipro Neto, o Letra e Música e ao saber que eu não fazia as letras, ele se mostrou um pouco apreensivo, mas minha justificativa habitual o tranquilizou e acabou que ele gostou muito da nossa conversa. Eu prezo tanto pela letra de uma canção e me interesso tanto por esse assunto que não as faço, sinceramente, acho que a letra tem cinquenta por cento ou mais de importância em uma canção, para mim uma melodia fraca com uma boa letra, se torna uma boa canção e uma ótima melodia com letra ruim a faz uma canção menor.

O Prof. Pasquale se mostrou um pouco apreensivo ao saber que eu não fazia as letras, mas minha justificativa o tranquilizou

Não sei se o público da Flip vai me receber diferente de outros públicos que eu encontro nos shows que faço por aí, o que eu sei é que as condições técnicas e o lugar onde toco influem muito na percepção das minhas canções. Como disse, a letra é elemento fundamental para chegar ao meu trabalho e se as pessoas que vão aos meus shows não a entendem, seja por problemas técnicos ou por estarem mais ligadas na balada do que no show, acabam perdendo contato com a minha música. Supostamente, um público de um festa literária vai estar mais ligado no que dizem as canções e se eles conseguirem ouvir as letras, tenho certeza que vão reparar na construção sofisticada que elas possuem, gostando ou não.

A literatura inspira de alguma forma o seu trabalho?

Apesar de como disse antes, não fazer as letras, eu diria que sim, me sinto influenciado pela literatura, assim como pelo cinema e ainda mais pelas artes plásticas, por ser o meio em que eu trafego com mais intimidade (meus parceiros mais constantes são os artistas plásticos Nuno Ramos, com quem também trabalho como assistente e o Clima). Mas o que mais me influencia é a própria música brasileira, eu procuro conhecê-la profundamente para a partir daí tentar propor novos caminhos à ela.

 

E o teu envolvimento com a literatura, extrapola de alguma forma a posição de simples leitor?

Se não faço ainda letras que me satisfaçam, nos últimos tempos tenho exercido o hábito de escrever sobre música, especialmente sobre a produção atual, porque acho que a crítica musical hoje perdeu o foco na criação e só se preocupa em fazer futurologia nesses tempos de revolução do meio de música. O artista lança um disco e só querem saber dele se ele acha que o disco vai acabar, o que ele acha da pirataria, da internete, do fim das gravadoras, não estão interessados na música. E eu te digo, ela vai bem, tão bem que eu me sinto na obrigação de registrar o grande momento porque passa a música brasileira, a quantidade de artistas interessantes e de grandes discos é comparável às melhores fases de sua história.

A crítica musical perdeu o foco da criação e só se preocupa em fazer futorologia, saber do artista se ele acha que o disco vai acabar

O que você tem lido atualmente?

Eu sempre leio muito sobre música, sejam biografias ou ensaios e acho que aos poucos vai se melhorando o acervo sobre música brasileira. No momento acabo de ler Dorival Caymmi, da coleção Folha Explica, escrito pelo Francisco Bosco, muito bom. Li também uma seleção de entrevistas da Bondinho, publicação independente que circulou no começo dos anos 70, sensacional! E agora começo a biografia de Carmem Miranda escrita pelo Ruy Castro [aqui dá pra ler um trecho sen-sa-cio-nal!]. 

 

E livros de cabeceira, quais são os seus?

Crime e Castigo (Dostoiévski), O Estrangeiro (Albert Camus) e o Balanço da Bossa (Augusto de Campos).

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