Jornal de domingo: ‘… e no entanto ser jovem virou uma roubada’

A publicidade enche a bola da juventude, a sociedade de consumo parece ter sido inventada para servir, com exclusividade, aos seus interesses, e no entanto ser jovem virou uma roubada. Já de algum tempo os jovens lideram os índices de mortalidade no trânsito e por homicídio, e sentem na pele, no cérebro e no bolso os efeitos de uma formação escolar cada vez mais deficiente. O mundo lhes pertence, mas, com a maioria sem emprego e vivendo compulsoriamente à custa dos pais, sua falta de liberdade só não é maior que sua falta de perspectiva. Não bastasse, ainda carregam a pecha de pertencerem a uma geração sem ideais, alienada e fútil.

(…) recém-eleito presidente, Augusto Chagas, 27 anos, estudante profissional assumido, é o décimo filiado ao PC do B a assumir o cargo, persistência dinástica inigualada por qualquer outra facção de esquerda nos 72 anos da UNE. O que não seria preocupante, não fosse o PC do B um partido tão antiquado, tão ideologicamente velho.
 
Chagas não liga para os que minimizam sua eleição em pleito indireto (por pouco mais de 2 mil estudantes) e criticam seu irrestrito apoio ao presidente Lula e à candidatura de Dilma Rousseff e seu desdém pela CPI da Petrobrás e pela indignação pública contra a corrupção no Senado. Apoiando o governo em tudo, até em questões que há 17 anos teriam motivado o presidente da UNE a organizar uma ou mais passeatas de estudantes de cara pintada, Chagas fez da realpolitik (ou da zynikpolitik) a sua bússola. Insinuações à parte, de pelego estudantil até agora não o chamaram, mas de correligionário informal de Sarney, Renan Calheiros, Collor e Wellington Salgado, por mero mercantilismo, já. Por esse metro, é um líder à altura do seu tempo – e de Brasília, que, aliás, serviu de palco para a sua eleição.

 

(…) recém-eleito presidente, Augusto Chagas, 27 anos, estudante profissional assumido, é o décimo filiado ao PC do B a assumir o cargo, persistência dinástica inigualada por qualquer outra facção de esquerda nos 72 anos da UNE. O que não seria preocupante, não fosse o PC do B um partido tão antiquado, tão ideologicamente velho.

Chagas não liga para os que minimizam sua eleição em pleito indireto (por pouco mais de 2 mil estudantes) e criticam seu irrestrito apoio ao presidente Lula e à candidatura de Dilma Rousseff e seu desdém pela CPI da Petrobrás e pela indignação pública contra a corrupção no Senado. Apoiando o governo em tudo, até em questões que há 17 anos teriam motivado o presidente da UNE a organizar uma ou mais passeatas de estudantes de cara pintada, Chagas fez da realpolitik (ou da zynikpolitik) a sua bússola. Insinuações à parte, de pelego estudantil até agora não o chamaram, mas de correligionário informal de Sarney, Renan Calheiros, Collor e Wellington Salgado, por mero mercantilismo, já. Por esse metro, é um líder à altura do seu tempo – e de Brasília, que, aliás, serviu de palco para a sua eleição.

Um portal histriônico da juventude

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