Primavera do Dragão

Glauber estudava na sala com Bananeira e Guerrinha, quando Lucinha entrou silenciosamente, sem ser notada. (…) quando acendeu a luz, deu um grito: ‘Glauber, meu filho! Corre! Um ladrão!’

Um negro alto e forte, ofuscado pela claridade súbita, pilhava o armário do quarto.

O ladrão, assustado, colocou a mão numa faca que levava na cintura.

Com cuidado e gestos lentos, Glauber passou o braço sobre os ombros da mãe e a tranquilizou, dizendo alto o suficiente para que o ladrão ouvisse:

‘Calma, mãe, este homem não é um ladrão: ele está é com fome‘.

‘Não estou com fome porra nenhuma! Eu sou é ladrão!’, reagiu o negro, surpreso e ameaçador, apontando a faca (…)

‘Ô, meu filho’, disse Glauber em tom paternal, ‘é claro que você não é um criminoso, você é um cara jovem, bonito, cheio de vida, as mulheres devem gostar muito de você. Vamos resolver logo isso. Venha cá‘. E se encaminhou para a cozinha com Lucinha e os amigos, fazendo um sinal para que o ladrão o seguisse.

Enquanto Caetano se vestia apressado no quarto, Necy abriu a porta e Glauber entrou esbravejando. Assustado, Caetano ouviu-os conversando na cozinha, e Necy tranquilizando o irmão ciumento: não estava traindo seu marido, era só um amigo bicha de Salvador

Primeiros trechos liberados do livro A Primavera do Dragão, sobre a infãncia e juventude de Gláuber Rocha, na Folha.

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