‘Caetano sempre gostou dessa conversa, né? Isso é ele’

(…) o registro mais revelador é de 1974, quando o cantor chegou a São Paulo com a turnê dos álbuns ‘Joia’ e ‘Qualquer Coisa’.

O clima estava pesado. A plateia pediu ‘Asa Branca’ e ele se recusou a cantar. Começou um longo discurso contra ‘pessoas que não entendem absolutamente nada de música e que arranjam empregos em revistas e jornais e escrevem crítica’. Até que alguém gritou um ‘Canta!’.

‘Eu canto quando eu quero!’, retrucou. ‘Esse negócio de você pagar e entrar e eu acreditar nisso é tudo mentira. Eu uso isso pra poder ter transas legais, mas também, se não me interessar, eu jogo tudo fora. Não tem essa não’.

E seguiu com o discurso inflamado, chamando Maria Helena Dutra (1937-2008), então jornalista da ‘Veja’, de ‘coitada’ e ‘analfabeta’.

Reclamou também de Maurício Kubrusly, que teria escrito que ‘Caetano está triste, a MPB está amordaçada, não acontece nada, está um período sombrio’. ‘Telefonei pra ele: Maurício, cê tá doente? O que houve?’, disse.

Kubrusly afirma não se lembrar do episódio. ‘Mas Caetano sempre gostou dessa conversa, né? Isso é ele’.

Áudio revela ira de Caetano Veloso com a crítica há 38 anos; ouça

+Caê

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