‘O Som ao Redor’ e a classe média do paraíso ao inferno

Tanto em seus curtas-metragens como no seu longa, ‘O som ao redor’, você trata do universo da classe média. Por quê?

Kleber Mendonça Filho – Este é o ambiente que eu conheço bem. Tem esse lance do cinema brasileiro só retratar a favela e o sertão, mas eu, pessoalmente, não tenho essa experiência. Acho esses ambientes riquíssimos e complexos, mas não tenho nenhuma vivência neles, então, não posso entender como é a vida em uma comunidade pobre. O que eu entendo é a classe média. Para mim é mais fácil falar de coisas que entendo, nas quais tenho conhecimento de caso. Se eu fosse fazer uma cena num café de São Paulo faria nesse aqui em que estamos, e não em um boteco da Vila Belmiro.Por que eu faria lá se eu não conheço o lugar? A classe média entra por isso. Estranhamente, isso é visto com surpresa.

O conceito de classe média, no entanto, é bem vasto…

Sim, hoje a classe média se divide em 10 camadas. Tem um caso que um amigo me contou que ilustra bem isto: a mãe dele, que também é da classe média, ficou indignada porque a faxineira apareceu para trabalhar com um iPhone 3G. Ela pensou: ‘Você não deveria ter um iPhone, você não tem nem dinheiro para comer’.Isso é Brasil! (…)

Entrevista do diretor à Revista Cult;

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