Marco Feliciano devia voltar a pregar somente para o rebanho que o elegeu (e o merece), e deixar em paz as escolhas dos demais brasileiros

A seguir, trechos do texto assinado pelo virtual novo presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos e Minorias da câmara dos deputados (e pastor evangélico e homofóbico confesso) – favorito graças à uma manobra política do PT para favorecer o partido a que ele pertence, da base aliada (e que prega os mesmos valores cristãos torpes), publicado hoje no jornal Folha de São Paulo – com meus comentários depois das aspas:

Apenas ensino o que aprendi na Bíblia, que não aprova a relação sexual nem o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Fora isso, a salvação está ao alcance de todos. (…) só prego o amor e o perdão.

No entanto, esses militantes GLBTT rotulam como homofóbica qualquer pessoa que discordar de suas posições.

Vivemos uma ditadura gay.

E desde quando um livro sem qualquer rigor científico pode ser levado em conta como material didático para ‘ensinar’ alguma coisa?? O nobre (só que não) deputado esquece que o Brasil é um país laico, em que um panfleto religioso não pode ser levado em conta para regular a vida do cidadão – como acontece em países do Oriente Médio que se apoiam no livro principal do islamismo para justificar ditaduras.

E é realmente todo esse amor e perdão que ele prega, ao acreditar na exclusão de quem não seguir as leis em que ele acredita?? Outra contradição: diz que não é verdade que incita a violência, mas perceberam a carga de raiva contida quando ele cita ‘esses’ militantes GLBTT, com certo desprezo até – e discordar de uma posição é uma coisa, se achar no direito de promover discriminação, é outra.

Ah, só uma outra dica importantíssima pra você que vai presidir uma comissão de direitos humanos e minorias, Marco: não é mais GLBTT, e sim LGBT. Continuemos:

No ano passado, tentei participar de um seminário organizado pela CDHM e presidido pelo deputado Jean Wyllys. Apavorei-me com o tema: diversidade sexual na primeira infância.

Foi desesperador ouvir dos que ali estavam que se um menino na creche, na hora do banho, quiser tocar o órgão genital de outro menino não poderia ser impedido. Afinal, segundo eles, criança não nasce homem nem mulher e sim gênero e se descobre com o tempo.

LEIA FREUD – Próximo:

Essa comissão é muito mais importante do que discussões rasas.

Mas pra provar o contrário, logo abaixo do texto do deputado na mesma página de editorial da Folha, vinha a resposta em artigo do tambem congressista Jean Wyllys (trechos):

Como pode presidir uma comissão de direitos humanos e minorias um deputado que disse que o problema da África negra é ‘espiritual’ porque ‘os africanos descendem de um ancestral amaldiçoado por Noé’, revivendo uma interpretação distorcida e racista da Bíblia, que já foi usada no passado para justificar a escravidão dos negros?

Como pode presidir uma comissão de direitos humanos e minorias um deputado que se referiu à aids como ‘o câncer gay’? Um deputado que defende um projeto de lei para obrigar o Conselho Federal de Psicologia a aceitar supostas ‘terapias de reversão da homossexualidade’ anticientíficas e baseadas em preconceitos.

Um deputado que quer criminalizar o povo de terreiro e enviar pais e mães de santo à cadeia por rituais religiosos que estão presentes nos mesmos capítulos da Bíblia que ele usa para injuriar os homossexuais? (…) Um deputado que apresentou um projeto para anular diversas (boas) decisões do Supremo Tribunal Federal, entre elas a sentença que reconhece as uniões homoafetivas como entidades familiares.

Na verdade, para ser justo, o acordo realizado para dar a presidência da CDHM ao PSC, com ou sem Marco Feliciano, já era um grave problema. Trata-se de um partido que fez campanha definindo a família de uma maneira que exclui não só gays e lésbicas, como também as famílias monoparentais, as com filhos adotivos e tantas outras. Trata-se de um partido que defende posições fundamentalistas que vão contra os direitos de muitas das minorias que essa comissão deve proteger.

É isso que milhares de brasileiras e brasileiros estão sentido nesse momento: que a Câmara bateu neles. Em nós – confesso que eu também senti. (…) é isso que estou fazendo, tentando representar aqueles que, como eu, sempre receberam mais insultos e porradas que direitos e estima! Saibam que não estão sozinhos! Luta que segue!

+gay

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