Arquivo da categoria: crise

Os dias de #Thatcher no Reino Unido – ou, uma época maravilhosa para ser fotojornalista no país

Na Vice;

TEM A VER – Margaret Thatcher sobre São Paulo:

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Europa, por JP Coutinho

Estou sentado num café no centro de Lisboa. Sobre a mesa, os jornais do dia. Então um cavalheiro aproxima-se da minha mesa, olha para os jornais e pergunta: ‘São da casa?’.

Eu sorrio, digo que não, que são meus, mas disponibilizo a prosa na mesma. O homem agradece, escolhe um deles, afasta-se e começa a leitura matinal. Então eu penso: isto é a Europa.

(…)

(…) não, aquilo que une os europeus não é a União Europeia, o euro e outras construções burocráticas presentemente em crise.

A ligação fundamental encontra-se, antes, na cultura, no pensamento e, enfim, numa certa forma de estar e de viver que, embora possa ser exportada para outras latitudes, tem um berço reconhecível.

Os cafés são um bom exemplo. As ilhas britânicas podem ter os seus pubs. As cidades americanas podem ter um bar em cada esquina. Mas os pubs e os bares não são os cafés de Lisboa, frequentados por Fernando Pessoa. (…)

(…)

(…) os cafés da Europa são lugares de encontro, ociosidade, debate e até produção intelectual. (…) podemos imaginar tudo num pub ou num bar. Não imaginamos a produção de uma obra filosófica; um debate político intenso; o nascimento de um novo movimento artístico; ou até, como agora, a simples partilha anônima dos jornais do dia para acompanhar o café da manhã.

A Europa são os seus cafés. (…)

(…)

Mas a ideia de Europa não se limita aos cafés. Nessa ideia, está também a dimensão humana e histórica dos lugares. A Europa não é percorrida por uma selva amazônica ou por um deserto do Saara. As suas distâncias não são geológicas ou continentais.

A Europa, desde sempre, foi um território pedestre, no sentido literal do termo: algo para ser descoberto a pé. As distâncias são humanamente modestas. (…)

(…)

Por fim, não interessa se você nasceu em Lisboa, Paris ou Berlim. O europeu é sobretudo herdeiro de Atenas e Jerusalém: da cidade terrestre e da cidade celeste; da tensão permanente entre a razão e a fé; entre o espírito científico e as ‘intimações’ da transcendência.

Foi desse diálogo, e até desse confronto, que nasceu o melhor das artes e das letras. Um patrimônio que sobrevive até hoje. (…)

(…) a ideia de Europa não se limita a páginas nobres: a Europa foi igualmente o espaço de ódios viscerais e barbaridades sem perdão.

(…) o continente europeu foi aquele onde era possível escutar Schubert ao jantar e, na manhã seguinte, gasear judeus de consciência limpa.

(…)

Moral da história?

Todos os dias, o leitor é confrontado com notícias apocalípticas sobre o futuro da União Europeia. E é possível que, lendo essas notícias, o leitor cometa o erro mais comum sobre a matéria: confundir a União Europeia com a Europa e os burocratas de Bruxelas com os europeus.

Nada mais falso. (…) a ideia de Europa é anterior à União Europeia. E que, aconteça o que acontecer, essa ideia irá sobreviver a ela.

Aqui;

+internacional

‘Cosmopolis’ (e o estado atual das coisas) – por Hector Lima*

Cosmopolis é como se o Jack nunca tivesse encontrado o Tyler Durden e investido em alguma startup ou no mercado financeiro e virado um jovem milionário [ou bilionário]. Também acho que talvez funcione melhor em livro [não li ainda]. Pra mim, Cronenberg devia ter cortado do roteiro alguns diálogos e mostrado o que estava sendo dito em imagens – ilustrando o discurso ao invés da verborragia, que mais parece tese de pós. O que é também de certa forma um jeito rebelde de se fazer as coisas num meio que vive de som e imagem pra causar sentimentos, muitas vezes de um jeito muito barato.

Achei o filme arrastado e chato, teatro filmado no pior sentido [às vezes tem filme que faz isso no melhor sentido], mas mesmo assim adorei, pirei muito. Foi quase como uma ginástica mental, fiquei hipnotizado pelas palavras, não sei se porque depois de começar a trabalhar com publicidade, eu ver muito da visão de mundo do Eric por aí. 

Ele é o Zuckerberg encarnado, uma pessoa desumanizada pela ganância e pelo enriquecimento do tráfico de informação à custa do sofrimento alheio. Eric especulava no mercado financeiro de investimento, jogando com o destino de economias estrangeiras que podiam quebrar por um capricho seu.

Zuckera fala tão friamente quanto e vive das informações que a gente compartilha aqui, inclusive desse comentário. Quando um serviço é de graça, o produto a ser oferecido são as pessoas, as informações que a gente alimenta no serviço.

O fracasso do Eric no filme é o que o algoz aponta, de não ver o imprevisível, o natural, o caótico nos padrões que ele analisava pra enriquecer. Achava que tudo era padronizável e mensurável, como as marcas fazem com as interações no Facebook pra saber se as pessoas gostam dela e como interagem como ela. É irônico que, no monitoramento de marcas, exista o quesito ‘sentimento’ pra saber se as pessoas estão falando bem ou mal de algo…

Então o Cosmopolis é sobre a transformação de uma pessoa desumanizada através da reumanização dela, que de certa forma era bem-vinda por ele se for ver como ele abraçou o impulso suicida de perder tudo. Como se ele soubesse que precisava daquilo pra ser gente de novo. Todo filme do Cronenberg é sobre transformação de um ser humano em outra coisa – esse é sobre a quase-transformação de um ‘ciborgue mental’ em uma pessoa novamente, se é que isso seria possível naquele contexto.

*Hector Lima – exclusivo para o Papagoiaba!

+Cosmopolis

Realidade do jovem europeu em ‘rap’ [sic]

É sexta-feira
Suei a semana inteira
No bolso não trago um tostão
Alguem me arranje emprego
Bom bom bom bom
Já já já já

Ainda o mês vai a meio já eu ‘tou aflito’
Oh mãe fazias-me rico em vez de bonito

Trechos da música Sexta-feira (Emprego Bom Já), do português Boss AC, citado na coluna Diário de Lisboa, da Isabel Coutinho, na última Ilustríssima, da Folha.

Mais de três milhões de acessos e garanto que a maioria de nós brasileiros desconhecíamos, uma vergonha.

+arte&sociedade

Jornal do fim de semana

Relato dos quatro dias em que o jornalista da Folha Germano Assad ficou retido pela ditadura síria.

O Brasil é hoje a versão 2.0 da Espanha de 2003 – Para economista, Brasil segue o mesmo caminho adotado pela Espanha, de endividamento e de crescimento pelo crédito

Praia no Rio Grande so Sul teria sido ‘balneário’ escolhido por Hitler após hipotética fuga para Argentina.

E por fim, um Laerte:

A primeira promo do ‘Papa’: livro ‘Da Rise and Fall of Da Tower’