Arquivo da categoria: jornal de domingo

Jornal de domingo: como nasce a arte, por Cristóvão Tezza

(…) atividade artística (…) é aquilo que criamos num impulso não solicitado pelos outros, para neles nos reconhecer (…)

Definição do autor Cristóvão Tezza (do best-seller cult O Filho Eterno), à Ilustríssima, na Folha de ontem.

+arte

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Jornal de domingo – Ziraldo e o bullying


(Tá rindo do que?? Do bullying??)

Que acha do bullying?
Isso é importação dos americanos. A sociedade brasileira não tem esse tipo de intolerância racial [sic]. E você demonizar o cara que fica gozando do outro também não é bom, fica aquele negócio da autoridade defendendo o cagão [barbaridade…].

Todas as pessoas que conheci de muito sucesso foram molestadas na escola – Caetano Veloso, Lobão, todo mundo. Você vai arrumar proteção pro cara que se deixa ser sacaneado? Deixa ele se virar!

Com que embasamento, Ziraldo, por favor??

Íntregra aqui.

Só para refrescar a sua memória: Columbine, Virginia Tech, Realengo, São Caetano do Sul e tantas outras…

(Quando a gente pode começar a reclamar para o governo pedir de volta a indenização paga pela ditadura quando o sujeito deslocado da realidade e parado no tempo resolve dizer umas asneiras, hein??)

+arte&sociedade

Jornal de domingo – ‘Fazer uma Copa do Brasil – não da Alemanha, no Brasil’

(…) Na Alemanha, em 2008, com exceção da cidade de Dortmund, onde o Partido Verde brigou para cacete e conseguiu fazer com que se vendesse também a cerveja local, em todos os estádios era possível comprar apenas Budweiser. Isso é uma ofensa no país da cerveja servir aquele xixi de caveira.

Qual é o risco de o Brasil deixar de ser sede da Copa de 2014?
O risco que o Brasil corre é de a Fifa se arreglar com a Inglaterra, que está incomodando uma barbaridade, e entregar a Copa a eles. 

Gostaria de ver isso. Já ocorreram desistências, como a Colômbia, que desistiu dois anos antes de realizar a Copa de 1986. Acho que o Brasil não vai desistir, mas a Fifa pode, sim, entregar a Copa do Mundo para a Inglaterra se o governo dificultar muito a vida deles.

Agora, devido às pretensões brasileiras de ter um lugar no Conselho de Segurança da ONU, é difícil imaginar que o Brasil deixe isso acontecer. Penso que a presidenta Dilma vai endurecer o quanto ela puder, mas cederá tudo aquilo que for inegociável para a Fifa. (…)

Então o Brasil não deveria nem ter pensado em sediar uma Copa?
Aí é que está. Deveria, sim. Mas para fazer uma Copa do Mundo do Brasil no Brasil. Não uma Copa do Mundo da Alemanha no Brasil. Claro que o Brasil pode fazer uma Copa, mas tem que fazer dentro das nossas possibilidades. (…)

(…) Essa obsessão por novos estádios é uma reprodução, sem tirar nem pôr, do que se fez durante a ditadura militar.

Foi o que ocorreu nos Jogos Pan-Americanos, no Rio, em 2007?
Quando criticávamos o que estava sendo feito em torno do Pan, diziam: ‘Esses jornalistas são maníacos por fracasso, são mal-humorados, antipatriotas etc’. Diziam que fariam o melhor Pan da história e deixariam três legados para o Rio: o metrô entre Jacarepaguá e a cidade olímpica, a despoluição da baía da Guanabara, da lagoa Rodrigo de Freitas.

Nenhuma dessas coisas foi feita. A ponto de um atleta do remo pescar um colchão durante a prova. Quem fez a maratona aquática saiu doente. 

Juca Kfouri, sempre fundamental, na Ilustríssima de ontem.

Tem a ver: ‘Fifa nega a possibilidade de tirar a Copa-2014 do Brasil’

Em ano de Copa…

Jornal/revista de domingo – ‘A partir de uns versos de catulo’

o ócio, Fabrício, te faz muito mal 
no ócio exultas 
e bebes demais 
gastando assim o que não tens 

no fim do mês toca a aceitar dinheiro 
de tua mãe [nota do blogueiro: SUPER me identifiquei *rs!]
que é jovem mas nem tanto
e adoraria não se preocupar
com o futuro do filho perdulário

o ócio, Fabrício, já levou à ruína 
reis e cidades
antes de ti –

por isso é melhor tirar da cabeça
essa ideia maluca de pedir demissão 
e preencher tuas horas com trabalho e chazinho 
se possível evitando os sites pornográficos
e as dicas de bares dos blogs glutões

O autor, poeta e cronista Fabrício Corsaletti (dele, só li Golpe de Ar), na última revista sãopaulo, da Folha; Fabrício, by the way, estará na 3ª Tarrafa Literária, em Santos, de 24 a 28 do mês que vem.

+Tarrafa

João 80

Em sua forma geral, a bossa nova é um ‘loop’, um movimento circular, que volta constantemente ao começo. Não tem propriamente exórdios e finais, evita cadências muito conclusivas. As introduções das canções parecem colhidas no meio de uma conversa já em andamento, e os finais sugerem quase sempre que a melhor coisa a fazer seria recomeçar tudo de novo – e, de fato, João Gilberto costuma repetir três ou quatro vezes a canção inteira. (…)

O mistério, no entanto, está no fato de esta poética da subtração, do quase não dito e não feito, ter sido um acontecimento cultural tão determinante, capaz de marcar com tamanha contundência a identidade brasileira moderna.

Como pôde se tornar o maior ícone cultural de um país (porque é isso que João Gilberto é) um homem que só teima em desaparecer?

Ilustríssima

+João

Jornal de domingo – Marx: ‘Abençoado o que não tem família’

Quando Karl Marx morreu em Londres, em 1883, pouco antes de completar 65 anos, trazia no bolso um retrato do pai. O corpo foi enterrado com a foto. A situação é tão mais comovente por o retrato ter sido encontrado no bolso do mesmo revolucionário antiburguês que, anos antes, escrevera ao amigo Friedrich Engels, coautor do Manifesto Comunista: ‘Abençoado aquele que não tem família‘ -e que entrara na vida adulta tentando se livrar do jugo paterno.

Marx, o Jovem, fechado, na Ilustríssima da Folha.

ATUALIZAÇÃO – ainda do mesmo texto:

Segundo a filha Eleanor, relatando o que ouvira das tias, o pequeno Karl fora um ditador que subjugava as irmãs, obrigando-as a lhe servir de montaria e a comer bolos de lama. E as irmãs se submetiam a todas as suas fantasias, só para depois poder ouvir, como prêmio, as histórias que ele lhes contava.