Arquivo da categoria: literatura e cinema

‘Bonsai’

(1)
Qual o sentido de ficar com alguem se essa pessoa não muda a sua vida? (…) a vida só tinha sentido se a gente encontrasse alguem que mudasse, que destruísse sua vida.

(2)
(…) aquele espantoso e inevitável dia em que a seriedade chegaria para se instalar para sempre na sua vida.

(3)
Você escreve romances, esses romances de capítulos curtos, de quarenta páginas, que estão na moda?

Trechos do livro, que começa bem bom e promissor, se enrola pela metade e retoma um pouco do punch pelo final.

Será que o filme é melhor??:

+literatura&cine

‘Cosmopolis’ (e o estado atual das coisas) – por Hector Lima*

Cosmopolis é como se o Jack nunca tivesse encontrado o Tyler Durden e investido em alguma startup ou no mercado financeiro e virado um jovem milionário [ou bilionário]. Também acho que talvez funcione melhor em livro [não li ainda]. Pra mim, Cronenberg devia ter cortado do roteiro alguns diálogos e mostrado o que estava sendo dito em imagens – ilustrando o discurso ao invés da verborragia, que mais parece tese de pós. O que é também de certa forma um jeito rebelde de se fazer as coisas num meio que vive de som e imagem pra causar sentimentos, muitas vezes de um jeito muito barato.

Achei o filme arrastado e chato, teatro filmado no pior sentido [às vezes tem filme que faz isso no melhor sentido], mas mesmo assim adorei, pirei muito. Foi quase como uma ginástica mental, fiquei hipnotizado pelas palavras, não sei se porque depois de começar a trabalhar com publicidade, eu ver muito da visão de mundo do Eric por aí. 

Ele é o Zuckerberg encarnado, uma pessoa desumanizada pela ganância e pelo enriquecimento do tráfico de informação à custa do sofrimento alheio. Eric especulava no mercado financeiro de investimento, jogando com o destino de economias estrangeiras que podiam quebrar por um capricho seu.

Zuckera fala tão friamente quanto e vive das informações que a gente compartilha aqui, inclusive desse comentário. Quando um serviço é de graça, o produto a ser oferecido são as pessoas, as informações que a gente alimenta no serviço.

O fracasso do Eric no filme é o que o algoz aponta, de não ver o imprevisível, o natural, o caótico nos padrões que ele analisava pra enriquecer. Achava que tudo era padronizável e mensurável, como as marcas fazem com as interações no Facebook pra saber se as pessoas gostam dela e como interagem como ela. É irônico que, no monitoramento de marcas, exista o quesito ‘sentimento’ pra saber se as pessoas estão falando bem ou mal de algo…

Então o Cosmopolis é sobre a transformação de uma pessoa desumanizada através da reumanização dela, que de certa forma era bem-vinda por ele se for ver como ele abraçou o impulso suicida de perder tudo. Como se ele soubesse que precisava daquilo pra ser gente de novo. Todo filme do Cronenberg é sobre transformação de um ser humano em outra coisa – esse é sobre a quase-transformação de um ‘ciborgue mental’ em uma pessoa novamente, se é que isso seria possível naquele contexto.

*Hector Lima – exclusivo para o Papagoiaba!

+Cosmopolis

‘O dinheiro perdeu sua qualidade narrativa’

O dinheiro perdeu sua qualidade narrativa, tal como aconteceu com a pintura antes. O dinheiro agora fala sozinho.

A única coisa que importa é o preço que se paga. Você mesmo, Eric, pense só: o que você comprou por US$ 104 milhões de dólares? Não foram dezenas de cômodos, vistas incomparáveis, elevadores privados. Você gastou esse dinheiro pelo próprio número em si, US$ 104 milhões. Foi isso o que você comprou.

Diálogos do filme Cosmópolis na crônica do Vladimir Safatle publicada hoje na Folha.

Um Cronenberg das antigas

Duas frases

Eu me considero mais um jogador de xadrez. Espero meu oponente fazer sua jogada para reagir.

O artista plástico chinês Ai Weiwei, sobre a perseguição de seu país.

Sem querer provocar, mas eu passei a me comportar como um jornalista.

O 007 Daniel Craig, dizendo que quando chegou para filmar Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, foi orientado a ‘comer e beber’ – como um jornalista (se isso não é uma profissão com o filme queimado…)

+arte
+cine 

(a volta do) Jornal de domingo – O último Harry Potter: ‘todos jornalista chora’

Nunca se viu tanta gente chorando como na sessão de imprensa de sexta. O último Harry Potter é sobre o crescimento de uma geração.

Estadão

Tambem: tradutora para o português brasileiro teve AVC (!!) depois de terminar trabalho no último livro (Voldemort??)