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Jornal de sexta: ‘eu não acredito no teatro dos adultos’

(…) Eu não acredito no teatro dos adultos. 

O que quer dizer exatamente com essa expressão?
Todas as organizações, como a escola, a família e a sociedade, repousam sobre a convicção de que alguns sabem mais do que os outros, que alguns detêm o saber e a experiência. Aí está a ilusão. Ilusão na qual acreditamos até o dia em que nos vemos adultos, professores e pais. E aí nos damos conta de que não sabemos muito mais do que sabíamos dez anos antes. E que não dominamos de fato o tema da vida.

Daí é preciso fazer o teatro dos adultos. Não é tão difícil se dar conta de que tudo é teatro. Esse adulto, que tem autoridade, é um pouco como um policial que todos os dias entra em cena ostentando seu uniforme.

O escritor francês François Bégaudeau, que atuou e correterizou (ah, reforma ortográfica…) o filme Entre os Muros da Escola, adaptado de livro que o cara também escreveu (vai ter disposição assim…), em entrevista também à Folha de hoje, em decorrência da estreia da produção no Brasil (estreia naquelas, né, só nas ‘principais praças’, se não me engano) e a visita de François ao país para promover o longa, vencedor de Cannes.

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‘Monsatã’

(…) A única frustração que a jornalista parece ter agora é pelo fato de ainda não ter conseguido ser processada pela Monsanto.

“É interessante que meu livro tenha sido traduzido para várias línguas, meu documentário visto em 20 países, e a Monsanto não tenha dito nada”, disse [Marie-Monique] Robin à Folha.

Nas duas matérias (fechadas paras assinantes do jornal e UOL) sobre o livro e o documentário O Mundo Segundo a Monsanto, publicadas hoje. O mais chocante vem agora:

No mês passado, a jornalista esteve no Brasil para lançar seu livro e negociar direitos de distribuição do documentário. Uma TV brasileira, diz, estava interessada, mas seu representante não fechou negócio. “Obtivemos a informação de que eles queriam comprar o filme para engavetá-lo depois.”

A pergunta que não quer calar: Globo?? Pensei logo de cara porque só ela teria não só cacife, como interesses, digamos, escusos para fazê-lo. Segue uma nova teoria da conspiração.

Update: as matérias citadas da Folha já foram liberadas para os não assinantes, aqui e aqui.

Sobre cães e best-sellers

Em tempos de Marley & Eu, que estréia antes no Brasil por causa da segunda maior população de animais de estimação do país (perde só ‘pros states’), vale essa discussão encampada pela revista E, do Sesc São Paulo:

“(…) em vez de o comprador de livros sugerir-se pela crítica literária, prefere motivar-se de acordo com a lista das obras momentaneamente mais vendidas.

O best-seller destronou o crítico e o expulsou dos meios de comunicação de massa [ou seja, tomou um emprego que poderia ser meu e de muita gente por aí – crivo do autor deste blog que vos escreve], substituindo-o pelos dispositivos medidores do mercado. Tem-se, portanto, a sutil confusão da qualidade com a quantidade. (…)”

Outra grave constatação do autor, Fábio Lucas:

Lembro-me, a propósito, de minha temporada nos EUA, quando a faxina dos hotéis recolhia dezenas de obras jogadas no lixo pelos leitores consumistas.

Livro no lixo não se faz, né? É que nem queimar (Fahrenheit 451, alguém?)