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Lobão: mais confuso e deslocado do que sabedor das coisas

Eles começaram muito bem. Lembro que vi um show deles com o Ira! e eles começavam falando ‘nós somos uma banda de hardcore’. Adoro o Amarante, mas virou uma coisa… O Camelo pirou. Eu conversava muito com o Camelo no Rio: ‘a Maria Bethânia é uma merda, um traste, o Edu Lobo é um cocô, que merda é essa de ficar lambendo o saco desses caras?’.  É um subproduto. O Edu Lobo é um excelente músico, tem uma base muito maior. Então, esses caras vão ser o cocô do cavalo bandido. Os Los Hermanos são bons compositores, mas, se você pensa errado, fodeu, e a energia baixa. Vi um show do Camelo descalço com um trono, sem bis. Aí é o fim, o cara está viajando. E, o pior, está tirando a pobre Mallu, que era uma menina legal. É um estupro cultural. A Mallu é uma menina linda, talentosa está naquela pasmaceira antológica. Mas hoje tem o BNegão, o Cachorro Grande, o Mombojó, o Vanguart, que já é uma galera veterana dos anos 2000, e não acontece nada…

… Mas não dá pra ficar só cheirando cocaína e enlouquecendo na rua Augusta…

… Precisa fazer um plano de ação e não ser tão humilde. (…) Tem de ser arrogante, passar a mão na bunda da sociedade. Falta tônus para as pessoas. A MPB já é assim. A capa do Caetano [no disco ‘Abraçaço’] é ‘vamos comer Caetano’ total, e o disco tem aquelas coisas totalmente evasivas. Um Comunista’. O que ele quer dizer com aquilo? Nada, não quer dizer porra nenhuma. ‘Lobão Tem Razão’ [do álbum anterior de Caetano, ‘zii e zie’]. O Lobão tem razão do quê, caralho? Eu dou um esporro nele e ele vem com Lobão Tem Razão oito anos depois? Vai ser bunda mole assim na esquina. E as pessoas ficam enchendo a bola daquela figura lamentável.

(…) O Chico pelo menos é um equivocado definido (…)

(…) tem um circuitinho, bota um chinelinho de couro, coloca o amp nas costas, tem aquele meia dúzia de pessoas que sempre vão ao seu show e você fica um aposentado no underground. Acho isso muito triste, uma condenação.

(…) do fundo do coração, eu seria incapaz de matar uma mosca, uma barata, uma Dilma.

(…) Canso de ver o Chico Buarque, mas ele é mais tímido e sai correndo.

Uma palavra: dó – trechos da entrevista para a Rolling Stone.

+arte&sociedade

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Jornal de domingo: Chico Buarque, o socialista, e a fita engolida

‘Lá [em Cuba] todos pensam da mesma maneira, pois todo o povo está integrado ao processo revolucionário. O Brasil, para atingir o socialismo, deveria passar por um processo revolucionário idêntico ao cubano. O mundo todo caminha para o socialismo. Inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, todos os países serão socialistas’. [Chico Buarque]

( . . . )

Na delegacia, o jornalista [Fernando Morais] enfrentou o primeiro embaraço: engoliu uma minifita cassete na qual tinha gravado, de forma amadora, uma apresentação de Chico Buarque no Teatro Karl Marx, em Havana ( . . . ) Muitos exilados brasileiros assistiram ao show.

O jornalista, que deglutiu a fita para não entregar ninguém, lamenta que nunca mais conseguiu recuperar o material. ‘Foi parar no rio Tietê’, brinca.

Trechos da matéria publicada hoje no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, sobre a perseguição da ditadura aos artistas do período.

+Chico

‘Se Eu Fechar os Olhos Agora’

Um livro só consegue me fisgar de verdade quando eu fico a imaginar, ainda mesmo durante a leitura, como seria adapta-lo para o cinema, se o diretor passaria reto por infinitos detalhes pra se apegar só à linha mestra da narrativa, ou se mataria pra tentar incluir cada minúcia no fotograma.

E olha que eu ainda nem cheguei à página 50 de Se Eu Fechar os Olhos Agora, do Edney Silvestre, pivô na confusão do Prêmio Jabuti esse ano. Sensacional! (uma ‘cortesia’ da colega de trampo Danielli).

+livros

Você ainda vai ler o livro e depois ver o filme do livro com ‘uma mão’ dele

. Música Olhos nos Olhos, de Chico Buarque, vai virar filme pelas mãos do diretor Karim Aïnouz (de Viajo porque Preciso, Volto porque Te Amo; O Céu de Suely, Madame Satã e a série de TV Alice);

. Outras nove músicas do ‘bardo’ foram compradas para um especial em capítulos da Globo;

. Biografia Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia, de Nelson Motta, tambem vai ao cinema, com direção de Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny e Ó Paí, Ó, a série);

. Livro Cordilheira, de Daniel Galera, vai pra tela grande pelas mãos de Carolina Jabor (de um dos episódios de Ó Pai, Ó);

. Estrela Distante, do hypeado chileno Roberto Bolaño (e não é pelos 33 mineiros!), tambem aguarda adaptação, ainda que sem diretor(a) definido.

Tudo isso pelas mãos do Rodrigo Teixeira aí em cima, da RT Features (responsável, entre outras coisas, pela coleção Amores Expressos, da editora Companhia das Letras), em matéria n’O Globo do começo do mês que, infelizmente, está fechada :(

ATUALIZAÇÃO: deu na Folha tambem…

+Chico
+cinema
+ livros
+cinema e livros
+música
+Bolaño

Criador e criatura

Todo mundo gosta (…) de querer ligar canções ou obras à vida de seus autores, o que glamoriza a biografia, mas empobrece a imaginação (…) O que acontece também é que você pode fazer canções e depois atribuir, dar de presente… (…) ‘Ah! Essa foi pra você’. Você pode fazer uma canção pra determinada pessoa e tal. (…) A canção é feita pensando na pessoa, mas o que vem depois, as palavras que estão ali, não são biográficas (…)

(…) Aquela menina era bonita. (…) Hoje ela é uma senhora. (…) Eu lembro que ia à missa dos dominicanos… eu e a minha turma… pra ver a Eleonora. Ela era simplesmente maravilhosa (…) mas eu não ousava chegar muito perto (…) Tinha medo de tirar pra dançar porque podia levar uma tábua, como se dizia na época. Mas depois que eu virei famoso, deu pra chegar a ela sem medo de levar tábua.

As irmãs Ana de Holanda (Bahia) e Maria do Carmo (Pii) têm outra versão. Garantem que quando Chico terminou Morena dos Olhos D’água, ligou para mais de uma mulher dizendo serem elas a musa.

Catraca Livre

+Chico
+som

‘O leite derramou faz tempo’

Partiu de Pedro Herz, sócio e presidente da Livraria Cultura (…), o comentário mais bem-humorado sobre a celeuma criada em torno da criação da Cide [Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico – o imposto] do Livro. ‘Qualquer forma de incentivo à leitura é bem-vinda, mas cá entre nós: se o presidente Lula passasse a frequentar livrarias com seus filhos e netos, essa prática teria um efeito muito maior do que qualquer imposto ou fundo inventado pelo governo’, afirma Herz, que se espanta ao saber que o presidente Lula estava lendo ‘Leite Derramado’, último romance de Chico Buarque. ‘Nada mais apropriado: o leite derramou faz tempo‘.

Valor Econômico

 

Dica presidencial de leitura e TV