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Não tire esses óculos

(…) Não há um momento X no despertar da mocidade em que seus pais lhe convoquem, acompanhados pelo rabino, o padre ou o pastor, mais um colegiado de anciãos, e perguntem: ‘Então, cria minha, chegou a hora: serás punk? Yuppie? Almofadinha? Pit boy? Mano? Intelectual com a barba por fazer? Ou crente de terninho bege?’.

Estilo é o resultado de milhares de microdecisões tomadas (ou não tomadas) ao longo de muitos anos, escolhas que vão aos poucos definindo desde a postura dos nossos ombros até a cor das nossas meias. Por isso, como descobri na semana passada, após duas horas penando numa ótica, é tão difícil comprar uma armação de óculos: pois ali você tem que decidir, no ato – ou ao menos, vá lá, revelar a si mesmo -, quem você é.

Comecei pelos mais discretos (…). Afinal, eu não queria uns óculos com proposta, queria? (…) Não queria óculos que fizessem com que (…) um frentista perguntasse pro outro ‘de quem é o troco, Lima?’, e ouvisse como resposta, ‘do artista, ali’, ou ‘do John Lennon, ali’ (…).

Por curiosidade, experimentei um daqueles oclões de acetato preto. Gostei do que vi, mas, ao mesmo tempo, me senti uma fraude. Aquelas armações vendiam um homem mais moderno do que eu. Mais antenado. Imaginei-me indo à padaria, uma equipe de TV me aborda: ‘O que você achou do último filme do Sokurov?’. Sokurov? Não, amigo, eu só tava indo comprar pão.

(…)

(…) ‘De quem é o troco?’, pergunta o frentista. ‘Daquele cara ali que, por covardia, por timidez, por orgulho, até, quem sabe, não quer dizer nada com seus óculos’. ‘Boa observação, Lima. Cê devia largar o posto e fazer uma pós em semiótica, sabia?’. ‘Tô ligado. Aqui o troco, chefia. Quer que dê uma olhada no óleo?’.

Toda vez que eu me deparo com um texto desses do Antonio Prata eu penso: o que fazer? Ajoelhar em sinal de louvação?? Mandar enquadrar???

+Antonio

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Lula: ‘existiria aí um problema psicológico?’

(…) É uma espécie de obsessão por sentir-se discriminado pela imprensa. Essa mesma imprensa que projetou sua imagem como herói sindical, renovador da política brasileira ao fundar um novo partido e, no balanço final de sua gestão, reconheceu que, no geral, foram oito anos positivos. Existiria aí um problema psicológico?

Trecho de coluna do Gilberto Dimenstein na Folha, que só soube agora por repercussão na revista Imprensa.

+Lula

Boa notícia: estreia canal de TV sobre ARTE!

Cultura na TV paga

Vai se chamar Arte 1, o novo canal de artes e cultura do Grupo Bandeirantes, coordenado pelo diretor Rogério Gallo.

Johnny Saad aprovou o desenho da grade, que reunirá diversos tipos de música, shows, entrevistas e até um Jornal de Notícias – voltado para o público-alvo. A artista plástica Tomie Ohtake já tem uma entrevista gravada.

O próximo grande desafio é se entender com as operadoras de TV por assinatura.

Flávio Ricco

Jornal de terça: Caetano – ‘Mas vá embora logo’

Caetano – Pode ir embora.

Folha – Tá bom. Tô indo.

Caetano – Vá logo.

Folha – Tá bom.

Caetano – Mas vá logo.

Folha – Tô indo, Caetano. Boa noite.

Caetano – Boa noite.

A assessoria do cantor afirma que ele não se incomodou com o tema da conversa [o fato de o Ministério da Cultura ter recusado dinheiro da Lei Rouanet para a turnê do novo disco, zii e zie], mas sim com a forma de abordagem e o momento – o cantor não gosta de receber repórteres para entrevistas no camarim em dias de estreias de seus shows.

Jornal de sexta: ‘Peixe na rede’

O promotor Paulo Castilho, do juizado especial criminal de São Paulo, vai pedir à Federação Paulista de Futebol a extinção da Torcida Sangue Jovem, do Santos FC. Justifica a proposta pelo confronto de santistas com a Polícia Militar em clássico contra o Corinthians no Pacembu, em março, e por relatos de incidentes que seriam provocados por ela na cidade de Santos.

Na coluna da Mônica Bérgamo, da Folha.

 

Morrer na praia

Cannelas

Só lembrando que o filme vencedor no Festival de Cannes de 2008, Entre os Muros da Escola, fica em cartaz só até hoje no Cine Arte Posto 4 de Santos, sessões às 16h, 18h30 e 21h, ingressos entre R$ 1,50 (meia) e R$ 3 (inteira).

 

O ator [Jim Carrey] foi a Cannes para o pré-lançamento de A Christmas Carol, superprodução em três dimensões. Há quem sugira que a Disney, responsável pela empreitada, queira preservar ao máximo sua imagem de heterossexual.

A jornalista Gabriela Longman na Folha de S. Paulo de ontem (20/05), especulando sobre o motivo da ausência de Carrey na coletiva de imprensa de I Love You Philip Morris, em que o ator interpreta um gay e se relaciona com os personagens de Ewan McGregor (Trainspotting, Star Wars, Peixe Grande, Anjos e Demônios e mais uma ‘pá’) e Rodrigo Santoro.

Santoro que, by the way, é cotado para viver Sinhozinho Malta na adaptação de Roque Santeiro para o cinema (fonte).

Walt Disney do mal

 

Auto escândalo

Pedro Almodóvar parecia disposto a criar manchetes em seu encontro com a imprensa: “Sou naturalmente tímido, mas, quando estou rodando, já cheguei a fazer sexo oral numa atriz para mostrar qual deveria ser a ação do ator [na cena].

(FSP, 20/05)

 

Sou o melhor diretor do mundo

As mãos trêmulas ao segurar o fone de ouvido (para escutar a tradução das perguntas feitas em francês), o suor cobrindo a testa e a respiração curta revelavam a tensão do diretor [Lars Von Trier, na coletiva após a exibição de Anticristo]

(FSP, 19/05)

(…) filme parece mesclar Cenas de um Casamento com a Bruxa de Blair

(Oesp, 19/05)

 

Uma comédia é uma tragédia com final feliz

O diretor Ken Loah, que concorre à Palma de Ouro deste ano por Procurando Eric.