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Jornalices*

A questão é que jornalistas acreditam que podem decifrar a vida da pessoa no espaço de uma hora, que tiveram um insight psicológico, quando na verdade são necessários anos para conhecer alguém realmente bem, em nível pessoal.

( . . . ) uma vez que você tem o governo envolvido na regulação da imprensa, você está a um passo da censura.

Trechos da entrevista que a jornalista Annalena McAfee (autora de Exclusiva), casada com o tambem escritor Ian McEwan – os dois presentes à Flip, deu à Ilustríssima, da Folha.

*Jornalices

+jornalismo

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#Flip2011 – O intelectual brasileiro e os erros crassos de Nicolelis

Íntegra da coluna Paratiana de sábado (publicado na Folha, mas pego daqui), do Antonio Prata; vale a pena acompanhar todo dia até o fim do evento:

Os bacharéis de Paraty

O neurocientista Miguel Nicolelis cometeu um erro crasso em sua palestra, na quinta-feira: explicou as coisas mais complexas do mundo de forma simples e compreensível. O establishment cultural torceu o nariz. Nicolelis foi chamado de populista, simplificador, acusado de ‘jogar para a torcida’.

Talvez, por ter morado muitos anos nos Estados Unidos, o professor tenha se esquecido de que, por aqui, o trabalho de um intelectual é justamente o contrário: dizer as coisas mais elementares de maneira empolada e abstrusa, dando ao público a sensação de ser duplamente inteligente: primeiro, ao conseguir decodificar o murundu; depois, ao descobrir que as ideias dentro do embrulho eram exatamente iguais às que ele já tinha, pelo senso comum.

O neurocientista Miguel Nicolelis cometeu um segundo erro crasso. Falou de suas pesquisas de modo apaixonado, chegou a lacrimejar quando mencionou a possibilidade de alguém voltar a andar por conta de suas descobertas. Ora, não sabe Nicolelis que, por aqui, emoção é coisa de menina? O homem cultivado é blasé, já viu tudo e desencantou-se; o mundo, seu objeto de estudo, só é tocado envolto por três camadas do Magipack da ironia.

No fim, Nicolelis cometeu o último e imperdoável erro: falou bem do Brasil. Enalteceu o passado, lembrando-se de Santos Dumont, e imaginou um futuro glorioso. Risadinhas sarcásticas ecoaram na plateia.

Nicolelis é tido com um gênio pelo MIT, pela revista ‘Science’, talvez ganhe um Nobel. Mas, ao que parece, ainda não está à altura dos bacharéis de Paraty.

*

Comentário do blog em que copiei o texto:

Nicolelis não sabe que, no Brasil, o papel de autêntico é considerado desempenho de canastrão. Sorte dele estar de passagem.

‘Odiamos Merkel do fundo do coração’

Sem a União Europeia seríamos um campo de batatas bordejado a praia. A Europa é a nossa única oportunidade. Por outro lado, estarmos numa união implica que qualquer chilique da senhora Merkel [premiê alemã] – que nós odiamos todos do fundo do coração, implica com nossa vida de modo muito insuportável. O próximo passo devia ser os portugueses terem voto nas eleições internas da Alemanha porque a política alemã tem intervenção demasiado direta na vida portuguesa.

valter hugo mãe

Lançamento de livro do valter hugo mãe semana que vem, com Lourenço Mutarelli

+livros

Aproveitando a #Flip*…

Nós que falamos espanhol tínhamos, antes, a arrogância de acreditar falar a segunda língua interncaional do mundo, depois do inglês. Não era tão importante aprender português (…)

Agora que o Brasil é cada vez mais uma potência econômica e cultural, acredito que o estudo do português deveria ser obrigatório na América espanhola (…)

Héctor Abad, autor colombiano presente na *Festa Literária Internacional de Paraty, à revista Ocas.

#CrumbStyle

Crumb, o sociofóbico, não ficou trancado em seu quarto de hotel. Não o tempo inteiro. À noite, no primeiro dia de Flip, andou pelas pedras incertas da cidade histórica – sabia estar sendo observado. É muito magro, alto e tem óculos com lentes muito grossas. Uma repórter que ousou se aproximar dele se limitou a pedir um autógrafo. Ele, acompanhado do também quadrinista Gilbert Shelton, seu amigo e companheiro de debate na festa, começou a desenhar seu nome em vez de assiná-lo. E fez um desenho de si próprio com semblante irritado. Em um balão, escreveu uma frase, saindo dos lábios de sua representação gráfica: ‘Eu odeio super-heróis’.

Época, de semana passada.