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Uma foto: manifestação do grupo Femen pela renúncia do papa em plena catedral de Notre Dame, em Paris

TEM A VER – Renúncia do papa (o Ratzinger-Palpatine, não este goiaba aqui) – alguns dos melhores memes até agora:

UPDATE:

Sinal divino? – Um raio atingiu o domo da Basílica de São Pedro, no Vaticano, poucas horas depois de o Papa Bento XVI anunciar a sua renúncia (…)

 

Papagoiaba no Facebook

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‘Parece uma boca banguela’

Lévi-Strauss foi o responsável por criar o paradigma do estruturalismo, de que as pessoas não são realmente conscientes daquilo que fazem. Elas ‘funcionam’ de acordo com regras, por lógicas que não dominam.

Lévi-Strauss criou um programa que ultrapassou a antropologia, valeu para todas as disciplinas. O estruturalismo foi tão poderoso nos anos 60 que até o técnico da equipe francesa de futebol, então em crise, disse que reorganizaria a equipe de maneira estruturalista… O estruturalismo virou uma solução para todos os problemas.

Lévi-Strauss detestava a promiscuidade entre alta cultura e cultura popular que via sendo praticada por seus famosos contemporâneos mais jovens: ‘pop philosophie’, pensadores citando Bob Dylan e escrevendo sobre cinema, linguistas estudando letras de rock – na entrevista com Didier Éribon, ele diz que jamais voltaria seu armamento teórico para nada abaixo de Baudelaire.

Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara: pareceu-lhe uma boca banguela

Tudo da Folha (os dois últimos, by Caetano).

Desumanas

A Questão Humana (França, 2007). É de esperar que um título de filme como este provoque no espectador aquela mordidinha tensa no canto do lábio. E a projeção tampouco colabora para dissipar o estigma de certa forma negativo que recai sobre mais esse ‘filme-cabeça-europeu’ (uma injustiça em vista da produção diversificada do Velho Continente).
Psicólogo que utiliza as mais modernas técnicas (por ele mesmo desabonadas) para recrutamento de funcionários na filial parisense de uma indústria química alemã, o personagem vivido por Mathieu Amalric (melhor em O Escafandro e a Borboleta) é escalado por um superior para diagnosticar o comportamento supostamente fora do comum de um outro diretor.
É quando a trama descamba para a teoria da conspiração empresarial (e sentimental também!) e vai cair mais uma vez naquelas feridas abertas durante a Segunda Guerra na Europa, e que custam a cicatrizar – especialmente no cinema.
Isso em meio ao desfile melancólico e pretensiosamente experimental de sequencias arrastadas, em que o cinemão de Hollywood logo meteria um corte. Também das relações disfuncionais, distantes e frias dos personagens (principalmente entre protagonista e o sexo feminino) se comparado ao calor do lado de fora ao local em que o filme era exibido, no Cine Arte Posto 4, de Santos, dentro do 35º Festival Sesc Melhores Filmes.
Vai ver que, por essa mesma razão, um filme de cores tão quentes como Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, presente na mesma mostra, tenha superlotado a sala em sessão anterior.
Híbrido entre O Grande Chefe (de Lars Von Trier) e suas relações disfuncionais no ambiente de trabalho, com o também francês Caché, outros dois exemplos tão dispares da recente produção européia, Questão… é filho direto e se parece mais com o segundo exemplo (também pela questão geopolítica), e que instituiu uma questionável fórmula intelectual, que pode até funcionar nos círculos ditos mais cultos, mas que por isso gira em falso no resultado final.
É como diz a personagem que deflagra toda a ação em Questão…, a secretária do diretor investigado pelo psicólogo/Amalric: as pessoas tendem a se afastar de quem emana tristeza, como se fosse uma doença. O filme sofre do mesmo mal.

A Questão Humana (França, 2007). É de esperar que um título de filme como este provoque no espectador aquela mordidinha tensa no canto do lábio. E a projeção tampouco colabora para dissipar o estigma de certa forma negativo que recai sobre mais esse ‘filme-cabeça-europeu’ (uma injustiça em vista da produção diversificada do Velho Continente).

Psicólogo que utiliza as mais modernas técnicas (por ele mesmo desabonadas) para recrutamento de funcionários na filial parisense de uma indústria química alemã, o personagem vivido por Mathieu Amalric (melhor em O Escafandro e a Borboleta) é escalado por um superior para diagnosticar o comportamento supostamente fora do comum de um outro diretor.

É quando a trama descamba para a teoria da conspiração empresarial (e sentimental também!) e vai cair mais uma vez naquelas feridas abertas durante a Segunda Guerra na Europa, e que custam a cicatrizar – especialmente no cinema.

Isso em meio ao desfile melancólico e pretensiosamente experimental de sequencias arrastadas, em que o cinemão de Hollywood logo meteria um corte. Também das relações disfuncionais, distantes e frias dos personagens (principalmente entre protagonista e o sexo feminino) se comparado ao calor do lado de fora ao local em que o filme era exibido, no Cine Arte Posto 4, de Santos, dentro do 35º Festival Sesc Melhores Filmes.

Vai ver que, por essa mesma razão, um filme de cores tão quentes como Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, presente na mesma mostra, tenha superlotado a sala em sessão anterior.

Híbrido entre O Grande Chefe (de Lars Von Trier) e suas relações disfuncionais no ambiente de trabalho, com o também francês Caché, outros dois exemplos tão dispares da recente produção européia, Questão… é filho direto e se parece mais com o segundo exemplo (também pela questão geopolítica), e que instituiu uma questionável fórmula intelectual, que pode até funcionar nos círculos ditos mais cultos, mas que por isso gira em falso no resultado final.

É como diz a personagem que deflagra toda a ação em Questão…, a secretária do diretor investigado pelo psicólogo/Amalric: as pessoas tendem a se afastar de quem emana tristeza, como se fosse uma doença. O filme sofre do mesmo mal.

 

Três Curtas
Haynes e o calcanhar de aquiles da originalidade

Jornal de sexta: ‘eu não acredito no teatro dos adultos’

(…) Eu não acredito no teatro dos adultos. 

O que quer dizer exatamente com essa expressão?
Todas as organizações, como a escola, a família e a sociedade, repousam sobre a convicção de que alguns sabem mais do que os outros, que alguns detêm o saber e a experiência. Aí está a ilusão. Ilusão na qual acreditamos até o dia em que nos vemos adultos, professores e pais. E aí nos damos conta de que não sabemos muito mais do que sabíamos dez anos antes. E que não dominamos de fato o tema da vida.

Daí é preciso fazer o teatro dos adultos. Não é tão difícil se dar conta de que tudo é teatro. Esse adulto, que tem autoridade, é um pouco como um policial que todos os dias entra em cena ostentando seu uniforme.

O escritor francês François Bégaudeau, que atuou e correterizou (ah, reforma ortográfica…) o filme Entre os Muros da Escola, adaptado de livro que o cara também escreveu (vai ter disposição assim…), em entrevista também à Folha de hoje, em decorrência da estreia da produção no Brasil (estreia naquelas, né, só nas ‘principais praças’, se não me engano) e a visita de François ao país para promover o longa, vencedor de Cannes.