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Cildo Meireles: artista igual bandido no Brasil

Qual é a sua avaliação da gestão de Ana de Hollanda?

Olha só, eu como artista plástico já me acostumei a não contar com o Estado. Acho até que o Estado realmente tem outras prioridades. Artes plásticas conseguem sobreviver desde que o Estado não atrapalhe. Cê tá entendendo? Consegue. Através do mercado. E sempre que o Estado vem querer controlar demais. . . Eu posso passar anos sem vender um trabalho. Quando vendo, vem a Receita Federal querer saber por que entrou aquela quantia na minha conta. (. . .) Nos últimos quatro anos, aconteceu umas duas vezes. Criança sai do Brasil sem controle, inteira ou fatiada. Agora, com artes plásticas, marcam em cima como se fosse bandido.

Mônica Bérgamo de ontem.

+arte

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‘Urbanisticamente, é um desastre’

Louvando o novo prédio, o arquiteto e o calculista afirmam que ele é ‘o maior edifício suspenso do mundo’ [aquele escuro retangular ali à esquerda, sob as duas coluna]. E daí? Eles se vangloriam como se o ineditismo técnico fosse de suma importância para o futuro da humanidade.

Gastando energia em retórica desgastada, Niemeyer deixa de lado questões atuais como a eficiência energética – o complexo tem a maior área de vidros da América Latina. Fachadas envidraçadas voltadas para as faces ensolaradas, por exemplo, é um erro primário que exigirá mais energia do ar-condicionado.

Por fim, além de um auditório pouco gracioso, o conjunto é completo por um centro de convivência, com restaurantes e lojas, que pretende substituir a rua – o espaço primordial de convivência urbana.

(…) Urbanisticamente, é um desastre. O governo deveria permanecer na região central, renovando edifícios subutilizados e incrementando a vida urbana. (…)

O arquiteto Fernando Serapião, editor executivo da revista Projeto Design, sobre a nova Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, em Belo Horizonte, sede do governo mineiro. Hoje na Folha (fechado, infelizmente…)

Jornal de domingo – tráfico & cinema, livros & impostos, Rússia & pobreza

O homem chega carregado à Assembleia de Deus Ministério da Restauração, em Senador Camará, zona oeste do Rio. 

Olho inchado, as feições deformadas, perna com fratura exposta, está inconsciente de tanto apanhar de traficantes. ‘Era para ter tomado logo um [tiro de pistola] .40 na cara, vendeu pó royal em vez de pó [cocaína]. Demos um pau mesmo, era para ter morrido, tapear os outros é motivo de cerol, cortar todinho e sumir‘, diz para a câmera, de cara limpa, Juarez Mendes da Silva, o Aranha, 28, chefe do tráfico de um complexo com 15 favelas na zona oeste do Rio e 150 ‘funcionários’ armados, ao custo mensal de R$ 94 mil. Foi ele quem determinou a surra. 

Aranha tem tatuagens nos antebraços: em uma lê-se Jesus, na outra Cristo. Jura que pretende abandonar o tráfico para ficar com Jesus. Como controla tudo? ‘É Deus!’ O documentário ‘Dançando com o Diabo’ expõe a complexidade e contradições do universo de violência, do tráfico e da polícia, e a eventual libertação pela religião, em linhas tortas e tênues. 

Documentário mostra rotina do tráfico no Rio

 

(…) a medida mais absurda é a instituição da figura dos ‘mediadores’ de leitura – ou seja, pessoas que tentariam incentivar o hábito de ler na população. Como se vê, o governo do presidente Lula não abandonou a compulsão pelo ‘dirigismo cultural’, que foi evidenciada, em seu primeiro mandato, pelas tentativas de criação de um Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) e de uma Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav). Quem serão esses ‘mediadores’ de leitura? De que modo serão escolhidos? Em que medida isso não pode levar a um festival de contratações de ‘companheiros’? Acima de tudo, o que garante que os ‘mediadores’ sejam mais eficientes do que os professores de ensino básico e como evitar que convertam seu trabalho em mero proselitismo partidário-ideológico?

A extravagante ideia de criação de um imposto para estimular o hábito da leitura só poderia vir de um governo cujo chefe já afirmou várias vezes que não gosta de livros e que não lê ‘porque dá sono’.

O imposto do livro

 


47% dos russos – a maioria, acredita que a causa por alguém ser pobre no país é ‘de responsabilidade da pessoa’

‘The first rule is…’

Maddox [da prole de Brad Pitt] estava pesquisando ‘armas’ no Google outro dia e acabou indo parar em um site sobre a supremacia branca. Tenho certeza de que agora o governo está nos vigiando.

Um inglês escreveu: ‘Clube da Luta não é só contra o capitalismo, mas contra a sociedade e contra Deus’. E nós pensamos: ‘Não tínhamos perceido que era tão bom‘.

Entrevista à Rolling Stone Brasil de fevereiro.