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10 anos (e um dia) de Popscene – ou, o 50º post sobre Santos no blog

Digno de nota: a Flávia Durante postou no blog dela um post em comemoração aos 10 anos da festa que marcou toda uma geração em Santos – e da qual eu me orgulho em fazer parte; mas tambem, pelo trecho da publicação em que eu sou lembrado:

(…) Como não lembrar (…) do Julio Ibelli (…) quando rola Libertines?

Nem preciso agradecer à Flávia, ao Hector, ao Thiago e ao Bruno pelo estrago – dos bons!!, que ele causaram na minha formação musical, ‘nightística’ (*rs!), cultural, social…

+caiçarices

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‘Cosmopolis’ (e o estado atual das coisas) – por Hector Lima*

Cosmopolis é como se o Jack nunca tivesse encontrado o Tyler Durden e investido em alguma startup ou no mercado financeiro e virado um jovem milionário [ou bilionário]. Também acho que talvez funcione melhor em livro [não li ainda]. Pra mim, Cronenberg devia ter cortado do roteiro alguns diálogos e mostrado o que estava sendo dito em imagens – ilustrando o discurso ao invés da verborragia, que mais parece tese de pós. O que é também de certa forma um jeito rebelde de se fazer as coisas num meio que vive de som e imagem pra causar sentimentos, muitas vezes de um jeito muito barato.

Achei o filme arrastado e chato, teatro filmado no pior sentido [às vezes tem filme que faz isso no melhor sentido], mas mesmo assim adorei, pirei muito. Foi quase como uma ginástica mental, fiquei hipnotizado pelas palavras, não sei se porque depois de começar a trabalhar com publicidade, eu ver muito da visão de mundo do Eric por aí. 

Ele é o Zuckerberg encarnado, uma pessoa desumanizada pela ganância e pelo enriquecimento do tráfico de informação à custa do sofrimento alheio. Eric especulava no mercado financeiro de investimento, jogando com o destino de economias estrangeiras que podiam quebrar por um capricho seu.

Zuckera fala tão friamente quanto e vive das informações que a gente compartilha aqui, inclusive desse comentário. Quando um serviço é de graça, o produto a ser oferecido são as pessoas, as informações que a gente alimenta no serviço.

O fracasso do Eric no filme é o que o algoz aponta, de não ver o imprevisível, o natural, o caótico nos padrões que ele analisava pra enriquecer. Achava que tudo era padronizável e mensurável, como as marcas fazem com as interações no Facebook pra saber se as pessoas gostam dela e como interagem como ela. É irônico que, no monitoramento de marcas, exista o quesito ‘sentimento’ pra saber se as pessoas estão falando bem ou mal de algo…

Então o Cosmopolis é sobre a transformação de uma pessoa desumanizada através da reumanização dela, que de certa forma era bem-vinda por ele se for ver como ele abraçou o impulso suicida de perder tudo. Como se ele soubesse que precisava daquilo pra ser gente de novo. Todo filme do Cronenberg é sobre transformação de um ser humano em outra coisa – esse é sobre a quase-transformação de um ‘ciborgue mental’ em uma pessoa novamente, se é que isso seria possível naquele contexto.

*Hector Lima – exclusivo para o Papagoiaba!

+Cosmopolis

Popscene FAIL


fica triste não, Caião

A culpa, no entanto, não é da Flávia nem do Hector, organizadores da festa santista que se fixou em São Paulo ano passado e deu uma parada agora. Agendada para maio, na edição da Virada Cultural para as cidades ‘do interior’ – litoral incluído (até cheguei a comentar aqui sobre o assunto), a gig acabou sendo cancelada por incompetência da organização, long story short, devido a uma falha de comunicação entre as secretarias de cultura municipal e estadual. Vergonhoso. A íntegra da explicação da Flávia pode ser lida no blog do Caio Bosco (que era uma das atrações confirmadas, e aliás foi ele quem me deu o toque do cancelamento, pelo Orkut), e na comunidade da Popscene. No mais, fica o desabafo da ‘Frá’:

são coisas que infelizmente acontecem nesse meio

Mas não deveriam mais, néam? No entanto, na mesma postagem do blog, o Caio manda avisar que dia 9 tem show na cidade natal do fera, Guarujá. Segue o flyer:

Anote na agenda

Flávia deu a dica pelo Twitter: esse fera aí de cima, Caio Bosco é o nome dele (Diamante e o remix do Emerson Tripah já viraram hit aqui em casa), ex-Radiola Santa Rosa, será uma das atrações na versão quase anual da Popscene em Santos, que em 2009 acontece na Virada Cultural Paulista marcada para 16 de maio no verdadeiro inferninho (de tão quente!) que é a Cadeia Velha de Santos, pseudo-point cultural da cidade.

A escalação da festa ainda traz nas ‘picapes’ (termo ‘so’ 90’s esse…) o ‘sr. Dinamarco’, Clibas. E ainda tem mais!

VIVA! – alguma movimentação finalmente nessa cidade! 

Pra encerrar, e começar a esquentar as turbinas (se bem que o naipe do som do cara é justamente contrário, de ‘esfriar’ turbinas), videozinho que o Bosco em pessoa deixou lá no meu scrapbook do Orkut dia desses. Sente a ‘vaibe’, Caio Bosco meets Ernest Hemingway (can’t wait!):

 

 

Lembrei que tenho uma entrevista com o cara guardada aqui e nunca publicada. Coçou a mão agora pra transcrever isso, vamos ver, vamos ver…

 

ao som de: Beck – Leopard-Skin Pill-Box Hat | Amy Winehouse – Help Yourself | Estelle – Superstition | Yeah Yeah Yeahs – Sheena is a Punk Rocker (Ramones Cover) | Romulo Fróes – Peraí | TV on The Radio – Heroes (David Bowie Cover) | 311 – Hey You | Lady Sovereign – So Human | Radiohead – Reckoner (The Twelves Remix)