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CHORÃO na capa da nova edição da Rolling Stone Brasil

Só vi agora – o site da revista ainda traz uma galeria com fotos da infância e da intimidade do eterno líder da banda Charlie Brown Jr.:

+Chorão

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Mãe Monstro


(The Edge of Glory)

Na noite passada, ela assistiu ao quarto filme pela primeira vez, chorando quando Rocky triunfou sobre o vilão soviético Ivan Drago. ‘Minha parte preferida’, ela conta com entusiasmo, ‘é quando o ex-treinador do Apollo diz ao Rocky: ‘Ele não é uma máquina, é um homem. Machuque-o e, quando ele sentir o próprio sangue, terá medo de você’. (Na verdade, ela inventou pelo menos metade dessa citação, mas não importa).

Hoje, está usando as mesmas botas Penthouse de US$ 30 e uma jaqueta de motociclista de couro sobre outra combinação de meia-calça com sutiã; está tomando café em uma caneca decorada com a versão de Alice no País das Maravilhas da Disney, que faz questão de exibir – ela caiu no buraco do coelho há muito tempo e não tem intenção de sair.

Gaga realmente acredita que renasceu como a Mãe Monstro – daí o ovo gigante no qual chegou ao Grammy, emergindo apenas para a apresentação (E se tivesse de ir ao banheiro? ‘Não vou. Não tenho órgãos de excreção, nasci sem eles‘, diz empertigada, mal contendo uma risada).

De repente me ocorre: será que ela faz alguma coisa humana atualmente, tipo comer e dormir? ‘Não’, responde, orgulhosa. ‘Só música e café’.

Gaga termina os vocais para Born This Way por volta das 5h da manhã. Dirige até a casa, um esconderijo afastado (chama o lugar de ‘uma obra-prima tosca’), relaxa assistindo a Rocky IV novamente, vai dormir às 6h, acorda às 10h, fica deitada na cama assistindo a um episódio de Cops e comendo um grande sanduíche de ovo (‘Não estou comendo o suficiente ultimamente, estava muito ocupada’), adormece novamente ao meio-dia. Tem um sonho sexual agradavelmente vívido (‘Estou trabalhando muito e me sentindo meio desnutrida em algumas áreas, com certeza. Não totalmente, no entanto. Talvez eu só esteja insaciável’); acorda às 16h, toma um banho, coloca o laço de cabelo e uma bandana preta do vídeo de Judas; dança de roupa íntima ao som de Iron Maiden; faz a própria maquiagem, levemente bagunçada, incluindo uma pinta falsa que chama de ‘mancha da fantasia’, joga um colete de couro sobre uma regata preta e saia, coloca a bota de stripper de salto alto e óculos de sol com espinhos feitos por um fã, e vai para Newark, Nova Jersey, para um dos últimos shows da turnê Monster Ball.

A Páscoa é daqui a dois dias, e os pais querem saber se ela vai à igreja com eles. ‘O padre O‘Connor adoraria te ver’, diz o pai. ‘Aposto que sim’, ela responde. ‘De verdade! Pergunta de você o tempo inteiro’.

‘Tem certeza de que quer me levar à igreja na Páscoa? Acabei de lançar um single chamado Judas!Devo usar um vestido dizendo: ‘Compre meu novo single, Judas, no iTunes‘?’

(…) em um momento em Newark, logo após a cantora ter deixado o palco e com a plateia já abandonando o estádio. Assim que a versão gravada de Judas começou a tocar pelo sistema de som, Lady Gaga voltou a se mexer. No lado direito do palco, à vista de apenas uma dezena de fãs que haviam ficado para trás, ela começou a dançar novamente, mais do que havia dançado a noite inteira. O show tinha acabado, mas a apresentação não. E não parecia que acabaria tão cedo.

Rolling Stone

+Gaga

Escrevi sobre ‘Ilusões Pesadas’ na Rolling Stone de junho

Turbilhão típico da adolescência é visto pelo olhar blasé de autor revelação

Sacha é um rebelde sem causa de 14 para 15 anos, tão desanimado com tudo que é difícil simpatizar com ele. O personagem tem o mesmo nome do autor, que é recém-chegado não só à maioridade como ao estrelato literário, hype garantido pela dúvida: seria ficção? Realidade? As duas? A instabilidade de uma paixão gay inspira a melancolia do protagonista e move a trama, junto de bebedeiras e drogas que o complicam na escola e vão terminar em bullying. Por coincidência, um certo estilo em que pensamentos fluem sem freios, similar ao de um diário (ou de vários tuítes e mensagens de SMS), percorre passagens do livro. Citações pop que pipocam vez ou outra reforçam a inércia de Sacha, assim como o cenário de cartões-postais, cafés, baladas e pegações em apartamentos de Paris, com direito a rotineiras viagens de férias ao norte da África – a porção de multiculturalismo que a burguesia francesa parece disposta a suportar.

Minha resenha de ‘Tanto Faz & Abacaxi na Rolling Stone BR de maio

Minha resenha de ‘Tanto Faz & Abacaxi’ na Rolling Stone BR de maio

Odisseia de anti-herói marginal inaugura selo de autores ‘malditos’

Reeditados agora em volume único, os dois primeiros livros do autor paulistano revelam a gênese do tom escatológico que o tornou cult com Pornopopéia. Em Tanto Faz, Moraes se confunde com o recém-trintão em andanças literário-existenciais na boemia de Paris, costuradas pelo apetite sexual insaciável pelas ‘beibes’ das redondezas do Sena – um tratado sobre o macho alfa real (não o ‘coxinha’ politicamente correto de capa de revista). É tambem uma resposta qualificada e oportuna às listas de mais vendidos, infestadas de autoajuda neofeminista 2.0, com uma matilha de homens babões à mercê de mulheres ‘poderosas’. A distância da terra natal ainda provoca um olhar reflexivo sobre o ponto de virada nos anos 80, das tomadas de posição na ditadura – resistente apesar de já mal das pernas, até chegar à indiferença da classe média em formação e a certa perda no significado recreativo das drogas, que justificam o brilho menor de Abacaxi, uma bad trip de volta ao Brasil com escala em Nova York.

Não perdam!

Escrevi sobre ‘Ordinário’ pra Rolling Stone