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Bolsonaro

Coincidência com o zeitgeist eu ter começado a ler esta HQ agora (presente do Bryan, da Realejo – desculpa aí pela demora em começar, hein?). Texto de apresentação da contra capa:

E lá vamos nós: o mundo ocidental perdeu definitivamente o rumo.

As forças políticas conservadoras devem começar a roer as unhas, os cardeais devem colocar as barbas de molho, o mal está feito: a família está em perigo!

Homens e mulheres homossexuais buscam formalizar suas relações, estabelecendo uma parceria entre o mesmo sexo a despeito do que rezam os ‘bons costumes’.

Até Conrad e Paul, que estão juntos já há 15 anos em uma vida conjugal selvagem, ficam um tanto perturbados em virtude de agora poderem se beijar oficialmente.

Evidentemente, nem a estranha relação de Paul com o jovem turco homofóbico, nem a mãe reacionária de Conrad à beira de uma crise nervos facilitarão seu plano, que é no entanto politicamente correto…

O sensacional Andrício de Souza tambem tem algo a dizer sobre o assunto:

TEM A VER: O último triângulo rosa

Culturettes

Vários advérbios podem descrever o novo álbum de PJ Harvey, desde que sempre acompanhados do adjetivo ‘ruim’. Inapelavelmente ruim. Desesperadamente ruim. Imperdoavelmente ruim. Assustadoramente ruim.

Resumindo bem o que esse disco coautoral de PJ e Parish: alguém toca banjo…

… e ela berra por cima como uma cabrita

O sempre tããão afável Álvaro Pereira Júnior (aqueeele do Fantástico, da Globo, também), em sua semanal Escuta Aqui, coluna do caderno Folhateen, do jornal Folha de S. Paulo, sobre A Woman a Man Walked By, da referida cantora.

 

Muitos cineastas, escritores e artistas são abençoados com a longevidade, mas nem todos chegam à verdadeira tardeza, fase em que a maestria colide com uma sensação inquieta de coisa inacabada, em que a contemplação da mortalidade inspira resignação e ao mesmo tempo revolta. 

Uma obra tardia é ao mesmo tempo familiar e estranha, característica do artista e no entanto díspar de tudo o que a precedeu. Um catálogo de obras tardias canônicas poderia incluir os nenúfares de Monet, os papéis recortados e colagens de Matisse, as últimas peças de Ibsen e a Nona Sinfonia e os seis últimos quartetos de cordas de Beethoven. 

(…) nos encontramos neste momento à beira de uma era de filmes tardios de Woody Allen e Clint Eastwood, por exemplo, que não dão sinais de desacelerar.

‘Ufa! Já vi o filme do Charlie Kaufman, não tenho que passar mais por isso’, dizia alguém há dias.

O crítico Inácio Araújo sobre o novo filme do prodígio de Hollywood, Sinecdoche, New York.

 

random_#4


Que onda, que onda, que onda, que dá
Que bunda, que bunda

‘Você não vê dizer que todos nós demos passagens para a [apresentadora Adriane] Galisteu. Não é que eu não gostaria…”, brincou o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), em referência a uma viagem paga pela cota do deputado Fábio Faria, ex-namorado de Galisteu.

(…) os suíços desenvolveram um mecanismo que permitirá a qualquer internauta digitalizar o seu próprio odor e enviá-lo ao objeto do seu afeto, como quem envia uma foto ou um e-mail.

 

Acho que ouvi, em uma canção de Madonna
‘When you look at me, I don’t know who I am’

Diferentemente de Osama e Condoleezza
Eu não acredito em deus

 

ao som de Mickey Gang – Horses can’t Dance | Amy Winehouse – Fuke me Pumps | Lissy Trullie – Ready for the Floor Hot Chip Cover | A-Ha – Take on Me The Twelves Remix | Radiohead – Reckoner The Twelves Remix | U2 – Get on your Boots Justice Remix | Luisa Mandou um Beijo – Borboleta Imperial | The Phantom Band – Throwing Bones

Jornal de domingo: ‘não me incomodaria nem um pouco se fosse excomungada’

Esse é tão bom (texto) que eu tive que copiar inteiro. Me perdoem, Danuza Leão (autora da ‘peça’ em questão, abaixo), a Folha de S. Paulo e todas as leis que regem o direito autoral (pelo menos ‘tô’ dando o crédito, né, ‘tio Frias’?):

 

Falando um pouco de religião

Eu estudei em colégio de freiras e posso falar de cadeira dos recreios que perdi aos sete, oito anos, ajoelhada no milho na capela, para pagar os meus pecados. Isso não é sadismo em alto grau? Fico tentando lembrar que pecados seriam esses. 

Teria falado na hora da aula? Teria comido um pedaço da sobremesa antes do almoço? Teria deixado de fazer algum dever? 

E as freiras ainda nos induziam a fazer sacrifícios, tipo deixar de comer uma mariola ou uma paçoca por amor a Deus. Sacrifício, a palavra que define a Santa Igreja Católica. E a missa obrigatória em todos os domingos e dias santificados? Depois disso, igreja, para mim, só em excursão turística -e assim mesmo só algumas. É possível considerar o desejo sexual um pecado, um orgasmo um pecado, ter relações sexuais, mesmo de casais casados na igreja, sem outra intenção, a não ser a de procriar, um pecado? E ao considerar quase tudo que dá prazer um pecado, não dá para perceber o quanto as mentes católicas são doentes? E malvadas? 

Os sacrifícios, tão cultuados entre os católicos -cordas apertando a cintura, debaixo do vestido, até sangrar, eram um grande sinal de amor a Deus. Mas o que deve acontecer naqueles conventos e seminários, com aquele monte de moças e rapazes com seus hormônios explodindo, mas tendo que seguir o sentido contrário ao da natureza para amar a Deus sobre todas as coisas, isso é segredo, e jamais saberemos o que lá se passa -mas minha mão no fogo eu não boto. Será que são todos castos? 

Dos padres pedófilos se fala um pouquinho, mas logo o assunto é esquecido. E da excomunhão dos médicos que fizeram o aborto na menina de nove anos estuprada não vou nem falar, porque tudo já foi dito. 

Para a Santa Madre Igreja, quanto mais se sofre mais se tem direito ao reino dos céus. Quem tiver uma doença grave será recompensado, se for cego, surdo, mudo e paralítico, é considerado um santo, praticamente, e ai dos que são felizes, dão risadas e gostam da vida. Estes estão condenados às trevas do inferno. 

Para ser um católico de verdade é preciso sofrer, e quanto mais, melhor. Como têm prestígio as carolas vestidas de preto, com um véu na cabeça e um terço na mão, falando que este mundo está perdido (e levando um pratinho de biscoitos para os padres). Perdido está quem não aproveitou esta vida e nunca ouviu falar em felicidade, pois o que vem depois ninguém sabe direito. Pelo menos, ninguém voltou pra contar. 

Mas também me revoltam as invenções praticadas em nome de Deus, das mais banais às mais revoltantes. Quem pode, em sã consciência, jurar amor “até que a morte nos separe?” Quem faz uma jura dessas é hipócrita, porque até as crianças do jardim-de-infância sabem que a vida não é assim. 

Mas do que os cardeais gostam mesmo é dos paramentos, das vestes de brocado, dos cálices de ouro, dos tronos incrustados de pedrarias, do luxo das igrejas de ouro, dos quadros mais preciosos deste mundo e de dar declarações absolutamente inúteis, tipo “o papa está muito preocupado com a fome no mundo”, como se essa preocupação resolvesse alguma coisa. Esse papa, aliás, que veste Armani e sapatos vermelhos de Prada. Se o Vaticano se desfizesse de metade de seus tesouros, é bem possível que não houvesse mais fome no mundo. Fui batizada, crismada e fiz a primeira comunhão, mas não cheguei ao ponto de me casar no religioso; e não me incomodaria nem um pouco se fosse excomungada. 

E pra fechar com chave de ouro, do Angeli, na Folha de hoje:

 

Jornal de sexta: ‘teremos de ser tolerantes’
Quer estuprar, estupra, MAS NÃO ABORTA (é a igreja quem diz) 

 

ao som de Art Brut – Am I Normal? (propício) | Art Brut – Alcoholics Unanimous (propício 2)